Nós somos o ‘Big Brother’: escreve filósofo sobre as redes sociais

13 de fev de 2018 às 08:06 | em: Mundo

Foto: Reprodução

“Hoje o indivíduo se explora e acredita que isso é realização.” Com esta frase o EL PAÍS intitulou sua reportagem sobre a conferência do filósofo sul-coreanoByung-Chul Han em Barcelona. Não se trata de uma frase provocadora, pensada para chamar a atenção da plateia, e sim de uma ideia que se repete em seus livros. Byung-Chul Han, radicado na Alemanha, já publicou uma dezena de títulos centrados na sociedade atual e nos efeitos da tecnologia. O último é Die Austreibung des Anderen (“a expulsão do diferente”). Todos eles são breves, densos, mas não difíceis, e com muitas ideias em comum. Um dos temas que trata com frequência é o das redes sociais, com as quais é muito crítico. Quando fala desses assuntos, “Han não se interessa tanto pela análise das causas, e sim pela mudança que produziram em nossas vidas, com o que é muito fácil que o leitor se identifique imediatamente”, diz Manuel Cruz, catedrático de Filosofia e diretor da coleção Pensamento, da editoria Herder, que publicou os livros de Han em espanhol. ssim, em A Sociedade da Transparência (editora Vozes), ele fala sobre a inclinação a nos expormos nas redes, um hábito que Han compara à pornografia e que é “contagioso e fictício”. Porque essa transparência na verdade é enganosa. Alinhado com a teoria do filtro-bolha de Eli Pariser, Han recorda que as redes só se dispõem a nos apresentar aquelas partes do mundo que nos agradam. Ou seja, essa interconexão digital, afinal, não facilita o contato com outros, pois serve apenas “para encontrar pessoas iguais e que pensam igual, nos fazendo passar longe dos desconhecidos e de quem é diferente de nós”, escreve em A Expulsão do Diferente. A consequência é que nosso horizonte de experiências “se torna cada vez mais estreito”. Confira mais em El País Brasil.

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