Natalia Araujo

Um país sem excelências e mordomias

11 de nov de 2014 às 23:42 | em: Natalia Araujo

85crcqnpbk_7qvejbeb5g_filePare tudo o que você está fazendo e reflita: que país é este que estamos vivendo? Aliás, que país é este que a maioria vegeta, enquanto os deputados, senadores, ministros, presidentes, prefeitos e vereadores vivem?

Muitos, geralmente, não querem falar de política, acham o assunto chato, fútil e sem necessidade alguma de ser tratado. Dentre esses que pensam isso, muitos preferem falar de futebol, de novelas, de festas e coisas que não consideram como desnecessárias. No entanto, se partirmos para refletir: quem são as pessoas que pagam os jogadores de futebol? Quem paga os presidentes das Federações? Quem é que paga as redes de Televisão, para que estas depositem o dinheiro na conta dos atores? Quem é que paga as entradas em festas, os cachês das bandas, as bebidas fornecidas em camarote VIP e, automaticamente, gera lucros para as empresas dessas marcas?

A resposta está clara e a busca por ela é conivente. Nós quem pagamos tudo isso e, mesmo gostando de novelas ou não, mesmo curtindo futebol ou não, estamos contribuindo para que isso gere lucro a eles. Os impostos que pagamos favorecem a todos e por que não os políticos? Por que não falar deles? Afinal, eles são os principais interessados em criar taxas, já que nossos impostos aumentam por culpa de quem está no poder. Não é mesmo?

o-modelo-exemplar-de-politica-da-suecia-3E se você soubesse que existe um país em que os políticos ganham pouco, andam de bicicleta, de ônibus, trem, cozinham sua própria comida, lavam e passam suas roupas e, ainda, estão preocupados com o bem estar da sociedade? Está pensando que me refiro a alguma obra de distopia? Não, leitores, esse país existe e se chama Suécia.

Logo na Idade Média, os camponeses do país tinham representação entre a nobreza, clero e a burguesia reunida no Parlamento. A sociedade, no ano de 1960, aboliu os pronomes formais e os políticos passaram a ser tratados como você. Vossa excelência passa longe desse país. Não existe preferência a penas especiais por crimes, eles não têm direito à imunidade. Com isso, podem ser processados e condenados como qualquer cidadão. Ainda, eles não possuem plano de saúde especial, apenas utilizam o sistema público.

Até o século XIX, a Suécia foi um dos países mais pobres da Europa. A partir do século seguinte, ela transformou-se em uma das mais ricas e sofisticadas nações industrializadas do mundo. O povo sueco busca a transparência e visa políticos que estejam conectados às ruas, que estejam ligados à sociedade para que a resolução dos problemas tenha mais solidez.

Enquanto isso, no Brasil…

Com grande frequência, ministro e parlamentares voam em jatinhos da FAB – Força Aérea Brasileira. Possuem carro com motorista particular e ganham verbas altíssimas para tudo.

Enquanto na Suécia a política é sinônimo de solidariedade, de meios para contribuir com a sociedade e buscar medidas igualitárias; no Brasil a política é sinônimo de poder, prestígio e inúmeras mordomias.

Os representantes têm uma vida de luxo e regalias, porém, esquece-se que eles estão representando o povo. Logo, devem viver de maneira condizente ao que vivemos e não totalmente oposta aos cidadãos. Se ao menos esse luxo exacerbado fosse sinônimo de eficiência, seria até aceitável, mas não o é. Os investimentos não representa qualidade por parte deles e, então, a massa de legisladores continua com uma vida regada de mordomias, enquanto a sociedade banca o banho de ouro que eles tomam.

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, no ano passado, que o Brasil possui o segundo Congresso mais caro do mundo. Cada parlamentar gasta em média US$ 7,4 milhões por ano. O país só perde apenas para os Estados Unidos que tem um gasto de US$ 9,6 milhões.

Não se nota resultados promissores por parte dos parlamentares; pelo contrário. Estima-se que, a cada dez legisladores, quatro respondem a inquéritos ou processos, o que dá em torno de 542 ações penais.

Se já não bastassem esses valores exorbitantes, os deputados recebem um salário em torno de R$ 26.700 e mais R$ 38.600 para custear as despesas referentes às suas atividades no poder. Essas contas correspondem também a carros alugados, passagens aéreas, telefone e aluguel de salas de escritório. Como se ainda fosse pouco, os parlamentares ainda recebem na faixa de R$ 3.800 para pagar as diárias em hotéis para ir a Brasília.

É impossível não comparar o céu ao inferno, quer dizer, Suécia ao Brasil. A maneira como os políticos realizam a politicagem, de forma íntegra, é estupenda e de causar admiração. Enquanto que aqui a corrupção predomina, a ânsia por querer sempre mais e, inclusive, a ambição e competição entre eles mesmos.

Será que os políticos de hoje, aqui no Brasil, aceitariam viver nas condições impostas pelo povo sueco? Certa vez, Fredrik Reinfeldt disse: “Quero ser um indivíduo entre outros indivíduos, e não alguém tratado como uma pessoa extraordinária”. Será que os políticos brasileiros abdicariam da fama, do poder, do luxo e se dedicariam intensamente a fazer o bem à sociedade e sem receber nada em troca? É uma grande utopia. É por isso que existem mais retrocessos que avanços no Estado totalitário e a democracia não é tão democrática quanto parece. É melhor deitar, dormir e sonhar com um país chamado Brasil que age de acordo com a maravilha chamada Suécia, a ter que se manter acordado e acreditar que isso possa acontecer um dia. Bom, talvez aconteça, quem sabe… Enquanto isso, melhor ir dormir!

Que país é esse?

01 de mar de 2013 às 09:54 | em: Natalia Araujo

Hoje acordei mais cedo e me atentei a ligar a TV para sair da masmorra de ir direto tomar banho, tomar café e ir ao ambiente de trabalho. O noticiário era infame e assustador. Gil Rugai, publicitário, acusado de matar o pai e a madrasta, foi considerado culpado. Até aí tudo estava considerado normal. Porém, logo em seguida o jornalista notificou que Gil Rugai, por ser réu primário, ou seja, estar sendo julgado pela primeira vez, teria o direito de recorrer e responder em liberdade.

Inconformada com tal decisão, então, resolvi mudar de canal e me abastecer de algo digno e promissor, ledo engano. A informação se passava no interior da Bahia, lá perto de onde o cabrito morreu seco e a vaca deixou de dar leite, devido a seca ocasionada. Um homem não muito novo, tinha lá os seus trinta e tantos anos, pai de família e trabalhador honesto, tinha saído com a esposa para comemorar cinco anos de casados, nada muito extravagante, porque sua condição financeira era precária. Resolveu levá-la num pequeno restaurante e tomaram uma pequena dosagem de vinho. Nada muito exagerado, considerando que até um bombom de licor tinha o mesmo teor de álcool. Na volta para casa, ele foi parado pela polícia que estava fazendo uma blitz no local. Resultado: foi detectado álcool no sangue. Eles foram para a delegacia e seu Eleotério teve que ficar preso.

As perguntas que ficam no ar: Por que a Lei brasileira funciona para uns e para outros é apenas umas letras impressas num livro fechado e empoeirado? Que país é esse que peca pelo extremo? Enquanto o senhor Eleotério estava feliz, comemorando algo com a esposa e estava totalmente sóbrio, afinal, ninguém se embebeda com um gole de vinho, o outro matou a madrasta, o pai e vai responder em liberdade. Onde fica a justiça?

Para o Direito: quem tem muito, tem tudo; quem tem pouco, não tem nada.