Hilmar Oliveira

O homem por trás da maçã

26 de set de 2013 às 20:01 | em: Hilmar Oliveira

No dia 5 de outubro completam-se dois anos da morte de Steve Jobs. Nesse período pós-Jobs fica evidente que ele ainda está presente no DNA da empresa que ajudou a fundar com Steve Wozniak em 1976. Seu legado está longe de ser esquecido, não só na indústria da informática, como principalmente na cultura organizacional da Apple. Jobs sempre foi de ideias extravagantes, certos abusos com alguns funcionários na busca de resultados, mas sempre (ou quase sempre) com inegável sucesso em suas decisões como líder de equipe. Após sua morte, Tim Cook assumiu a empresa da maçã, num momento de certa crise criativa da equipe de designers. Imprimiu uma administração mais metódica, porém não menos vencedora (pelo menos nos resultados). As vendas do iPhone e iPad disparam no mundo trazendo uma certeza, todo marketing em torno da companhia ainda rende bons frutos (e em forma de maçãs). Uma boa parte do resultado deve-se a cultura que Jobs implantou. Ela vai além dos muros de Cupertino e de funcionários de outras filiais espalhadas pelo mundo, ela foi inserida principalmente  nos seus milhões de consumidores, fiéis defensores da marca. Orgulham-se de ter um símbolo no fundo do seu celular ou computador (ou seria Iphone e Macintosh?). Pois é, tudo é milimetricamente feito para eles se sentirem num universo só deles.

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Steve Jobs ao lado de Steve Wozniak testando o que seria o Apple II

Jobs sempre buscou levar a empresa a um patamar acima das demais no que se refere a qualidade dos materiais de acabamento e sobretudo no design. Focou em fazer o sistema operacional integrado ao hardware, abraçando quase todas as etapas do processo. Essa escolha lhe rendeu aparelhos até hoje mais fluidos, porém, essa direção de “isolamento”, de ser algo fechado à outras organizações do universo da tecnologia foi também o ponto fraco que possibilitou o surgimento de rivais como a Microsoft, que licenciou apenas o software, o DOS e, posteriormente o Windows, e vendeu-o para diversas empresas como IBM, Compaq, Dell, cobrando pela unidade vendida, e obtendo a maior fatia do mercado de PCs. Mais recentemente, a história se repete com a Google, que disponibiliza  o código-fonte do Android para os desenvolvedores de companhias de tablets e smartphones e consegue colocar no mercado aparelhos bem mais em conta. Jobs, visionário que era com certeza já sabia que esse seria um preço a pagar, mas focou nos pontos positivos de suas escolhas.

Por tudo isso, pela sua liderança e empreendedorismo,  nasceu um ícone. De representante da contra-cultura, fez uma revolução cultural a partir de suas ideias e inovações e sempre será a personificação da Apple. Sempre.

O olho que tudo vê

15 de jul de 2013 às 22:16 | em: Hilmar Oliveira

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O Big Brother World existe e ele atende pela sigla NSA, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos que recentemente teve suas operações expostas ao público por um de seus ex-funcionários que responde pelo nome de Edward Snowden.  Trata-se de projetos que visam rastrear a vida de todas as pessoas do planeta através de dados e informações diversas, desde quem ligou para você no seu aniversário até onde você usou o cartão de crédito na noite de natal. O que todos imaginavam agora começa a ficar mais claro aos nossos olhos, os Estados Unidos querem controlar você.

O princípio dessa avalanche se deu quando Snowden cedeu informações para um jornalista do inglês The Guardian. Os primeiros documentos mostravam que a inteligência americana tinha acesso a ligações da empresa de telefonia americana Verizon, que por sua vez facilitava a espionagem das chamadas. Foi o início de uma série de denúncias que mostravam colaboração de empresas de tecnologia como Google e Facebook, empresas de telefonia e cartão de crédito que podem traçar facilmente o perfil de qualquer pessoa no mundo através de seus hábitos. O governo sabe quantas ligações, para quem e de onde estava sendo realizada a chamada, a partir da triangulação das torres de telecomunicações. Toda essa informação é armazenada em gigantescos servidores, prontas para serem garimpadas a qualquer instante.

cia-google-facebookO governo americano se defende alegando que são medidas de proteção anti-terrorismo, mas nada impede que essas informações sejam utilizadas para interesses comerciais. Países como o Brasil e China estão entre os mais monitorados, o que mostram um fundo ecônomico em toda essa espionagem. E mesmo que os fins fossem apenas motivados por segurança, o país do “Tio Sam” mostra toda a sua prepotência ao invadir a privacidade de milhões, ou até bilhões de pessoas, infrigindo leis do Direito Internacional.

Resta a nós esperar-mos medidas de segurança de proteção dos dados que podem vir através de mecanismos de criptografia. Até lá, vamos nos acostumando cada vez mais a ter a nossa vida escancarada, seja intencionalmente, a partir das tão crescentes redes sociais ou em medidas arbitrárias, sem nosso consentimento, como estamos presenciando atualmente.

Está aberta a temporada de conspirações e que o WikiLeaks nos proteja!!

Telexfree: A fábrica de dinheiro e dúvidas!

02 de jun de 2013 às 00:44 | em: Hilmar Oliveira

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Numa breve conversa em outubro, ouvi a respeito de uma empresa na internet que pagava R$800,00 aos seus associados todo mês, em troca apenas de anúncios diários na web sobre o seu sistema de VoIP. O preço disso? Investimento inicial em torno de R$2.800,00. No momento confesso que não entendi e nem levei muito a sério esse diálogo, afinal, dinheiro não cai do céu. Porém, semana a semana, mais gente falava dessa empresa, e aos poucos vários vídeos começaram a aparecer no Youtube.

Pesquisei o que era essa tal de Telexfree, assistindo alguns vídeos. Uma boa parte, mostrava que a empresa estava fazendo milionárias algumas pessoas em pouquíssimo tempo. Como o caso de um ambulante que comprou uma Ferrari. Outros tantos, mostravam que a empresa fazia suas operações no Brasil, disfarçando uma prática conhecida como “Pirâmide de Ponzi”. O esquema de pirâmide baseia-se em um membro no topo, que é financiado pela entrada de dois membros, que é sustentado por quatro, oito e assim sucessivamente, até o momento que não existe mais disponibilidade de entrada de novos membros e a pirâmide é desfeita, em outras palavras, a “empresa” vai à falência.

O debate se estendia nas ruas e nos botecos. Eu mesmo já participei de algumas conversas com membros da empresa, (que me convenceram a investir) pra chegar num consenso e tiramos conclusões diversas, umas delas é que ninguém pode discutir a inteligência e visão de marketing de James Merrill, fundador da empresa. Chegar a uma amplitude dessa em pouco mais de um ano atuando no Brasil, com quase um milhão de divulgadores no país, grupos abrindo escritório em várias cidades, fazendo palestras, pessoas influentes fazendo parte e outras ganhando influência a partir da empresa, além do que, mesmo sem dados estatísticos comprovados, creio que mais de 90% dos usuários de internet no Brasil, já ouviu falar nesse nome, isso se não for 100%.

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Pelé Reis, o ex-ambulante que comprou uma Ferrari

Tirando essa constatação do alcance meteórico da empresa, o resto são dúvidas. Para onde foi todo esse dinheiro investido? De onde vem todo esse dinheiro que cai na conta dos milhares de divulgadores? Qual a saúde financeira da empresa? São perguntas que necessitariam de uma análise técnica, com verificação de demonstrativos contábeis e afins. Como a empresa é LTDA, essa divulgação é menos abrangente. O que se sabe é que a Telexfree vêm pagando altos volumes de Imposto de Renda à Receita Federal e que Ministérios Públicos Estaduais e o Federal estão investigando-a devido à denúncias. Isso há 4 ou 5 meses.

Essa novela ainda vai gerar vários capítulos, e eu, vou assistir de camarote, com mouse e teclado na mão para não perder minhas postagens.

Admirável Mundo Novo

04 de abr de 2013 às 21:15 | em: Hilmar Oliveira

Iphone, Bluetooth, Wi-fi, Android. Palavras que estão na boca de qualquer um engajado com as novas tecnologias do mercado. Tecnologias que interligam pessoas, democratizam o conteúdo, e pouco a pouco se encaixam em todas as coisas do nosso dia-a-dia.

Organizações como Google, Microsoft e Apple figuram sempre entre as empresas com maior valor de mercado. Nos tornamos extremamente dependentes da tecnologia. Viva a obsolescência programada. O que era top de linha, em dois meses já está defasado e precisamos urgentemente dá um upgrade em nosso gadget para não ficarmos para trás. E o ciclo se repete infinitas vezes enchendo o bolso das multinacionais. Consumir (mesmo que não nos sirva) é a ordem da vez. Enquanto houver mão-de-obra chinesa para fazer os eletrônicos, tudo estará tranquilo e a demanda será suprida.

Nesse “novo mundo”, tudo é muito rápido, tudo se banaliza e se modifica a percepção de tempo. As coisas chegam ao topo tão rápido, e na mesma velocidade se vão, deixando tudo mais efêmero.

Essa velocidade não se limita aos produtos da marca A ou B, mas ao conteúdo também.  Tudo se consome, tudo se enjoa, tudo se joga fora com uma velocidade incrível. O texto era um livro, passou pra um blog, depois um twitter e não mais que 140 caracteres. A música “Harlem Shake” do DJ Bauuer ganhou um meme de meros 30 segundos, se tornou um viral sem precedentes e fechou o mês de março como a música mais tocada na Billboard americana.

Estamos todos conectados numa imensa teia digital, uma nova plataforma, um novo e grandioso meio de troca de informações, experiências e ideias. Um rolo compressor que não tem mais volta e reverbera no entretenimento, na política, nas vagas de emprego e muito nas relações sociais. Quem hoje vive um dia sem olhar a sua “vitrine” pessoal através das redes sociais? Facebook é a nova revista “Caras”, o Google o nosso Oráculo e a Apple, uma grife internacional, fazendo com que os produtos pensados por Jobs sejam comparados com obras de Monet.

A dinâmica de mercado nos pede ainda mais novidades e até o fim de 2013 a Apple lança seu relógio inteligente e a Google um óculos de realidade aumentada que obedecerá a comandos de voz. Onde vamos parar não sei. Só espero que a vida não imite a arte de filmes como “O exterminador do futuro” e “Matrix”. Do jeito que está a inteligência artificial, não duvidaria.

O adeus do “poeta do gueto”

09 de mar de 2013 às 14:37 | em: Hilmar Oliveira

Alexandre Magno, Chorão, skatista, poeta do gueto. Assim se resume o artista que conseguiu através da música ser o porta-voz de uma geração que anda cada vez mais carente de ídolos. Personalidade forte, fugiu de casa após a separação dos pais aos 11 anos. Aos 14 abandonou a escola e só veio se reencontrar quando encontrou os companheiros do skate e de banda. Aos 27 anos, ganhou uma nova casa, um novo sentido pra vida, o Charlie Brown Jr.

A banda apresentou seu primeiro CD em 1997, com muita rebeldia e letras sobre curtição, festas e referências ao público jovem que era seu nicho até então. De lá pra cá, muita coisa mudou, embora a essência continuasse a mesma, Chorão, com o Charlie Brown viu seu público amadurecer, criar responsabilidades e teve que evoluir também.  E não decepcionou, saiu da música de gueto, saiu da música de garotos e garotas, para atingir um público maior, chegando nos últimos anos a um alto nível poético em suas composições.

Durante a sua carreira passeou com maestria pelo rock, reggae, rap, hardcore. Soube tocar em cheio à alma de milhões e milhões de pessoas com o tal “Papo Reto”. Era assim mesmo, direto, na veia, falando uma linguagem acessível, sem esquecer de trazer elementos mais complexos para enriquecer sua obra. Quando falava, falava com segurança (como no show em 2011 em Salvador, único que tive o prazer de assistir), tendo grande presença de palco e dominava como ninguém seu público, e tenho certeza que ele sabia disso.

Trabalhou como roteirista em dois filmes (O magnata – 2007) e (O cobrador – este ainda em andamento).  Era uma metralhadora de hits, com 16 músicas no topo das paradas brasileiras, 9 cds de studio, 2 cds ao vio, 6 dvds, 2 coletâneas, 2 grammys latino e mais de 100 músicas que falam de praticamente tudo que alguém, gente como ele, vive, ou viveu.  Deixa uma lacuna na música, especialmente no rock. Não quero comparar com Cazuza, Renato ou Raul Seixas, pois não vivi a época, não tenho com traduzir todo o contexto. Falo do que vivi, acompanhei, e Chorão junto com o Charlie Brown Jr. para mim são os melhores da sua geração, da minha geração. Vá em paz, Choris.

Um salve à escrita

04 de jan de 2013 às 23:51 | em: Hilmar Oliveira

Não faz muito tempo, lembro-me de quando recebi minha primeira carta de amor. Um papel de caderno dobrado com algumas frases do tipo: “Não consigo viver sem você”, ou “quero te ver no final da aula”, algo assim; e, então, se fez a comunicação escrita entre duas pessoas. Emissor e receptor, mesmo sem contato direto, tentavam estabelecer uma conexão de acordo com suas subjetividades.

Desde que o homem se entende por homem, a escrita caminha paralela ao seu desenvolvimento. Estavam nos papiros egípcios e estão nas tirinhas de Ziraldo.

Somos seres sociais, precisamos nos comunicar, externalizar o gigantesco mundo que cabe dentro de uma “caixa” com cerca de 86 bilhões de neurônios. E a escrita se encarrega muito bem disso. Ela modifica-se, se dá por diversos meios, fazendo-se sempre presente, em todo lugar: no jornal, no livro, nos tablets e afins, até mesmo no computador de bordo do carro. Isso sem contar na tal bula de remédio que ninguém lê.

O alcance dessa comunicação já foi mais restrito, poucas pessoas tinham acesso a algo escrito por terceiros. As universidades eram raras, somente cidadãos de extremo apreço eram os escolhidos para se deliciar com os encantos da leitura, ou seja, da produção cultural. A própria Igreja Católica, até a Reforma Protestante, restringia a leitura de seus escritos para um seleto grupo. Para que assim, quem sabe, não houvesse contestação das suas medidas unilaterais, ou de práticas como as indulgências, impostas aos fiéis na Idade Média. Coincidentemente, ou não, depois que Martinho Lutero conseguiu quebrar esse paradigma e democratizou a leitura dos textos bíblicos, surgiram novas formas de entendimento e interpretação. Posteriormente, também ocorreu o crescimento de outras religiões.

A produção escrita cresceu, se democratizou e criou infinitas possibilidades. Esse processo caminha em direção a uma incrível facilidade de propagação de ideias nos próximos anos e décadas. O que antes era feito para um ou para poucos, hoje é para milhares ou milhões. Ou, por que não bilhões? Isso tudo, feito do seu próprio quarto, com direito a café e torrada. Exemplos não faltam para provar a mobilização resultante da organização em rede. Esse nova forma de disseminação de ideias foi o principal vetor das revoluções ocorridas no Oriente Médio, onde boa parte da mobilização foi organizada via Facebook e Twitter.

 

A tendência da migração da comunicação escrita para mídias digitais é evidente e, cada vez mais, inevitável. Independente dos meios, a essência é a mesma. Existe a criação de quem escreve, a subjetividade de quem lê, e, posteriormente, a interação destes. A diferença é que, hoje, esse processo é tão dinâmico e variado que se confunde quem é emissor ou receptor de conteúdo. Todos nós somos um pouco de tudo.

A janela está aí, escancarada para que todos sejam formadores de opinião e criadores de conteúdo. Então, mãos à massa.