Felipe Sales

BR-116/Norte: A rodovia da morte onde a duplicação virou política em troca de votos

25 de nov de 2018 às 17:55 | em: Br 116,Felipe Sales

Foto: Divulgação | SECOM BR

Em 2014, antes das eleições, o então governador Jaques Wagner anunciou em evento que a duplicação de lotes da BR 116 teria um investimento de R$ 2 bilhões. Em 2014, o site Bahia Notícias informou que a duplicação da BR-116 começaria no final de setembro. Segundo o então Superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT), o primeiro lote, de Feira de Santana até Serrinha, ocorreria ainda naquele ano. Os demais lotes precisariam de licitação.Estes lotes passariam por Euclides da Cunha e Teofilândia. A duplicação seria feita até a divisa com Pernambuco e contemplaria ao todo mais de 400 quilômetros. Em Janeiro de 2017, segundo o site Bahia Já, o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo de Carvalho esteve em audiência no Palácio da Alvorada, em Brasília, com o presidente Michel Temer. Ronaldo pediu “atenção especial” a Temer quanto a duplicação da rodovia que liga Feira de Santana a Serrinha.  O presidente disse que determinaria estudos sobre o assunto, já é uma pauta antiga em Brasília, mas que nada de concreto ficou fechado.

Foto: A Voz do Campo

Com apoio de Lúcio Vieira Lima (MDB), o prefeito de Serrinha foi a Brasília em novembro de 2017 para pedir pela duplicação da BR-116/Norte (relembre aqui). Em dezembro, o DENIT começou a implantar placas  sobre a duplicação. A obra teria um investimento de 275 milhões de reais e um prazo de 45 meses a partir de novembro de 2017. Os municípios afetados pelo Lote 05 seriam: Santa Bárbara, Lamarão, Serrinha e Teofilândia, onde o lote finaliza (ver). A obra começou no ano das eleições presidenciais (relembre). Em junho de 2018, o prefeito de Feira de Santana, Colbert Martins Filho, esteve em Brasília e anunciou que a obra perderia verbas (relembre). No período eleitoral, o ministro dos Transportes, Valter Cassemiro, esteve em Feira de Santana e anunciou que a Duplicação continuaria, com frente de serviço começando da cidade (ver). Após as eleições, o que o cidadão vê é a redução da quantidade de maquinários e funcionários na obra. A redução foi de mais de 60%. Poucos são os trechos com maquinário.  “A duplicação está desacelerada”, dizem os políticos regionais.

Foto: Leitor A Voz do Campo

Neste domingo (25), um acidente entre carreta e ônibus escolar deixou jovens músicos mortos e dezenas de pessoas feridas na BR-116/Norte, entre Serrinha e Santa Bárbara (relembre aqui). Uma ultrapassagem perigosa teria causado o acidente. Na região, os congestionamentos e acidentes são muito frequentes. Este acidente é mais um, dentre outros tantos nesta rodovia. Todos poderiam ter sido evitados se a duplicação não fosse um projeto exclusivamente político. A BR-116/Norte é a principal artéria de transporte do País. Por isso uma frase virou retórica no Território do Sisal: “a rodovia da morte tem um projeto de duplicação que virou política em troca de votos”.

Autor do texto: Artigo de autoria do arqueólogo e gestor ambiental Felipe S. Sales. Este artigo expressa as opiniões e os dados do autor.

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Rui e José Ronaldo precisam incluir pautas da região sisaleira em seus planos de governo

31 de jul de 2018 às 09:44 | em: Felipe Sales

Foto: Ilustração

Os anúncios das minutas para os planos de governo do governador Rui Costa e do ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, pré-candidatos ao governo do Estado da Bahia nestas eleições de 2018, estão a todo o vapor. Em Teixeira de Freitas, extremo sul da Bahia, Rui incluiu no seu plano de governo a construção de um hospital estadual no município. Em Cansanção, José Ronaldo prometeu mais segurança à região, no entanto, não exemplificou o “como”. Todas as propostas, quando implantadas, são bem vindas. Ademais disto, as principais pautas da região sisaleira, atualmente, são: um Hospital Regional e pavimentação da BA-408, que faz a ligação Santaluz – Araci – Conceição do Coité. Atenção deputados, prefeitos e vereadores. Essas pautas são conhecidas pelas lideranças políticas regionais há décadas e precisam ser o mote neste pleito, sob risco de a região permanecer sem tais benefícios por mais quatro anos. A construção de um Hospital Regional do Território do Sisal trará grande alento à população, que ficas sofrendo nas filas da regulação e sendo lançadas para outras regiões constantemente. A pavimentação da rodovia BA-408 representa desenvolvimento, uma vez que ligará a BR-116/Norte à vias estaduais no interior da região. Está na hora de cobrar essas propostas em planos de governo, para posteriormente poder exigir a realização. A região sisaleira tem 25 cidades.

Artigo de Felipe S. Sales – Coordenador de Edição do site A Voz do Campo.

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Notícias Falsas: A sociedade deve se unir para combater as “fake news” no Brasil

31 de maio de 2018 às 16:00 | em: Felipe Sales

Foto: Ilustração

A educação virtual é uma arma importante para detectar informações falsas no noticiário. No entanto, não basta apenas você acompanhar veículos de notícia confiáveis. Essa “alfabetização” deve contar com esforços de vários setores da sociedade, especialmente do universo político honesto e da comunidade civil organizada. Não adianta um grupo ter alfabetização virtual e outros grupos não. Sem os esforços dos vários setores com responsabilidade, o Brasil entrará em um parafuso de difusão de notícias falsas. Com objetivos exclusos, notícias falsas mobilizam mentes pouco críticas e manipulam o mundo. Não se enganem; todos que são sérios, são ou serão vítimas de “fake news” na internet. A dificuldade de identificar notícias falsas afeta até países com melhores índices de escolaridade. Uma pesquisa da Universidade de Stanford, apontou que estudantes americanos tiveram problema para checar a credibilidade das informações divulgadas na internet. Uma notícia falsa sobre uma criança crucificada acirrou uma guerra na Ucrânia. Os Estados Unidos estão em uma briga judicial contra a Rússia sobre notícias falsas e as eleições presidenciais. Notícias falsas viralizam 70% mais rápido que notícias verdadeiras. O IBGE e a USP disseram que somente e em 2014, 12 milhões de pessoas compartilharam notícias falsas no Brasil. Em 2018 são 116 milhões de pessoas conectadas à internet no Brasil. Em 2014 eram 40 milhões. Portanto, é mais do que óbvio: notícias falsas mobilizam pessoas sem senso crítico nas redes sociais e criam diversos distúrbios. A sociedade precisa se unir, combater notícias falsas e apoiar que produz notícias com credibilidade. Sem isso, quem perde é a sociedade.

Artigo escrito e de autoria de Felipe S. Sales
Coordenador de Edição e um dos sócios-proprietários do site A Voz do Campo

Exemplos de “Fakes News” desmentidas pelo site A Voz do Campo

PRF desmente boato sobre morte durante manifestação de caminhoneiros

Suposto crime de espetinho de carne de cachorro em Serrinha é boato, diz Polícia Militar

Ministério da Saúde esclarece que circulação de vírus H2N3 no Brasil é apenas boato

Deputado do DEM espalha boatos e mentiras sobre Marielle Franco; entenda

É boato que iraniana fez 50 cirurgias para ficar igual à atriz Angelina Joli; entenda

TSE desmente boato sobre aplicação de multa de R$ 150 a quem não fizer biometria

É Boato: Moradores da cidade mais pobre do Brasil batem no prefeito e o amarram em poste

Caixa Econômica informa que boatos sobre bloqueios das poupanças são inverídicos

raci: É boato a história da cobra sucuri de 15 metros encontrada no Poço Grande

Operação da PF na Bahia que achou urina de cavalo em cerveja é boato

Boato: Policia prende caminhão cheio de corpos de crianças sem órgãos no México

E muito mais (…).

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Aliados de ACM Neto ainda estão inconformados; artigo de Felipe Sales

19 de abr de 2018 às 13:24 | em: Eleições 2018,Felipe Sales

Foto: Ilustração

Aliados de ACM Neto ainda não se conformam com a decisão do presidente do DEM de não disputar o governo da Bahia. Pelos cantos, o prefeito de Salvador está sendo chamado de “frouxo” e “medroso”. Um áudio, que havia sido atribuído a um aliado [e foi negado], faz duras acusações e ilustra a insatisfação entre os apoiadores do prefeito. Fato é: ACM Neto mobilizou a oposição na Bahia e catalizou toda ela em torno de seu nome durante anos. A negativa de sua candidatura ao governo da Bahia caiu como uma bomba para todos. Diversos são os pré-candidatos a deputado que desistiram após a desistência de ACM Neto. “Sem Neto, não temos a mesma força”, dizem. Com a saída de Neto do pário, José Ronaldo assume disputa. O ex-prefeito de Feira de Santana era um dos candidatos mais fortes para o Senado pela Bahia. Como oposição para o governo da Bahia, seu nome, inicialmente, vem mais fraco. Sem Neto, a situação já vê a disputa contra a oposição como um jogo mais fácil. A oposição já se dividiu na Bahia. João Gualberto (PSDB) também quer disputar as eleições. A desistência de Neto mexeu completamente com o cenário político e, ao que parece, dificulta o lado da oposição. No entanto, o resultado quem define é o povo.

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O poder da zona rural: as vozes que soam cada vez mais fortes em Araci; artigo de Felipe Sales

09 de mar de 2018 às 16:52 | em: Araci,Felipe Sales,Política

Foto: Ilustração

Há quem diga que estratégia é tudo na política. O tolo não sabe, mas a política é a única característica que distingue os homens dos demais animais. Nesta equação, estratégia é tudo na vida política e humana de uma pessoa em sociedade. Uma boa estratégia é o que nos distinguem os animais que vencem ou que perdem. A observação da política em Araci trás uma verdade para a construção de estratégias: as comunidades da zona rural, outrora vistas como bases para voto por cabresto, hoje são pulsantes, têm representatividade, formaram grupos, têm jovens instruídos e exigem seu espaço de decisão. É daí que surgiram os vereadores com poder em suas regionais. Não se enganem: o poder de cada vereador desse é reflexo dessa representatividade e pode mudar conforme os interesses da comunidade. A zona rural não aceita e nunca mais será coadjuvante no processo político, ela é protagonista. Essa realidade surgiu há alguns anos e poucos perceberam. Foi assim que Daniel Ramos venceu uma vez, que Zedafó venceu duas vezes e Silva Neto também venceu duas eleições. Representando projetos políticos da sede, Zé Pinho venceu uma vez e Nenca duas. Os resultados não mentem: está zona rural 5 x 3 sede. Lógico, não há uma disputa onde a sede vota e um candidato e a zona rural em outra. Existe, sim, representatividade e composição majoritária onde o projeto da sede disputa contra o da zona rural. Observo o comércio em Araci: proprietários e funcionários vindos da zona rural dominam. As instituições, os bancos, cooperativas de crédito as associações e as repartições públicas seguem o mesmo caminho. Determinação, foco e muito estudo fazem com que a juventude da zona rural domine, por mérito, os espaços de poder em Araci. Como eu sempre digo: a força está na zona rural. Recentemente estou observando a construção de projetos políticos de oposição ao atual prefeito no município. Penso: não aprenderam com a história e já começam errando. Não entenderam ainda que a zona rural, predominante e com poder, merece e quer ser representada sempre. Não adiantam fórmulas alienadas de viúvas da política destruídas pelo ódio. Quer gerir Araci? Tem que representar ou ser da zona rural. São eles quem mandam e aqueles que se intitulam “elite” financeira, comercial ou intelectual da sede não entenderam ainda.

Artigo escrito e de autoria de Felipe S. Sales
Araciense e observador da política local.

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É extremamente importante de eleger bons senadores e deputados; artigo de Felipe Sales

01 de mar de 2018 às 11:17 | em: Felipe Sales

Foto: Ilustração

Estamos próximos ao processo eleitoral em que serão disputadas vagas de presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais. É um momento de mudança ou de manutenção das pessoas que devem definir as novas leis, alterar as já existentes e, certamente, cumpri-las. Por tradição, tendemos a dar mais atenção às eleições para os cargos executivos (presidência, governadoria e prefeitura). É porque dedicamos pouca importância aos pretendentes aos cargos legislativos (deputados, senadores e vereadores), que acompanhamos inúmeros casos de corrupção e incompetência na atuação parlamentar. É bom lembrar o papel decisivo dos deputados e dos senadores nestes últimos anos no Brasil. Eles são protagonistas de todas as votações importantes e na fiscalização do dinheiro público.

Eles foram/são importantes na votação do Impeachment de Dilma Rousseff, na votação da PEC que criou um teto de investimentos em saúde, educação e segurança pública, na votação da terceirização total, no processo que não permitiu a investigação do presidente Temer, na reforma trabalhista e na reforma da previdência. O voto em um deputado ou um senador é, em resumo, uma carta branca para que ele vote por você na câmara ou no senado federal. Deputados, grande parte das vezes, votam conforme orientações partidárias. Portanto, o partido de cada candidato deve ser sempre levado em consideração e estar de acordo com sua ideias e objetivos. Pergunte-se: qual a história desse candidato? O que ele defende? Quais os aliados dele? Qual o partido dele? O que o partido dele defende? Sem isso, você estará jogando seu voto fora ou dando carta branca para alguém votar por você de um modo que lhe desagrade.

Atenção, há também os candidatos que aventuram-se das eleições para o legislativo exclusivamente como intuito de compor lengada partidária e consolidar-se em chapas para disputas executivas, como é o caso das disputas por prefeituras. Nestes casos, o candidato não tem pretensões de vencer a eleição legislativas. Lança-se candidato para aumentar a quantidade de votos para seu partido e eleger outros candidatos da sua legenda. A contrapartida destes candidatos é financeira e vem em apoios para eleições futuras. Desta forma, seu voto está sendo vendido sem você saber. Você estará ajudando a eleger quem você não conhece e alguém que muitas vezes votará a seu contragosto.

Funções do poder legislativo

Os poderes legislativos, apesar do nome, têm funções muito mais relevantes do que apenas propor e votar leis.  Senadores e deputados devem: fiscalizar as ações dos governantes; garantir que educadores possam participar dos debates para a elaboração de novas leis educacionais; pressionar para que os poderes executivos cumpram a legislação que interessa à melhoria do país; denunciar e brigar para que leis prejudiciais à nação não sejam implantadas; e defender governos com boas intenções ou se opor aos incompetentes. Esses diferentes papéis podem ser exercidos ou não, dependendo tanto dos legisladores como de nós, eleitores. Precisamos eleger representantes comprometidos e cobrar deles intervenções coerentes com o prometido em campanha. De certo modo, a sociedade precisa se educar para a democracia fruir e, nesse processo, gerar legisladores educados que respondam à altura daqueles que representam – ou seja, a máxima de que os políticos são o reflexo da população, que inclui professores e gestores escolares.

Artigo de Felipe S. Sales
Araciense.

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Não condene uma pessoa pelo whatsapp; atenção e empatia em tempos sombrios

18 de dez de 2017 às 11:48 | em: Felipe Sales

Foto: Ilustração

Em Serrinha, uma jovem é brutalmente assassinada. Todos ficam chocados e as redes sociais ficam polvorosas. Logo uma pessoa é condenada. Fotos dessa pessoa se espalham nas redes sociais. No tribunal do whatsaap, tão inquisidor quanto o Facebook, o jovem torna-se culpado. Horas depois os profissionais de verdade, a Polícia, esclarece o crime. Outra pessoa é culpada.

Em Araci, imagens íntimas de duas pessoas circulam em todos os grupos de whatsapp. A imagem da mulher passa a ser o assunto do domingo. Famílias envolvidas, sentimentos, paixões (…). Nada disso é posto em jogo. A empatia não existe. Prefere-se difamar e julgar. Na mesma cidade, semanas antes, um jovem foi assassinado enquanto tralhava como garçom. Fotos de outro jovem foram divulgadas como sendo a vítima. A mãe foi parar no hospital. Não era seu filho.

Em Teofilândia, uma adolescente morre de acidente. Vídeos circulam no whatsapp. Retiraram o pano sobre o corpo para filmar a jovem morta. Respeito? Nenhum. A família está transtornada.

Em Tucano, um trabalhador vai preso por dirigir veículo irregular (de leilão). Cometeu um crime. Quem julga? O tribunal do whatsapp. Fotos do trabalhador estampam todos os grupos da região.

E se fosse você? A sociedade precisa refletir, precisa ter empatia, que é se colocar no lugar do outro. Uma câmera na mão, o celular com internet e voila, uma pessoa pode se tornar repórter/juiz/promotor sem ética e sem compromisso com nada no tribunal do whatsapp. Atenção, pode ser você depois!

Felipe S. Sales
Coordenador de Edição
A Voz do Campo

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Sua curiosidade não pode ser maior que a segurança alheia; mantenha sigilo no whatsapp

15 de nov de 2017 às 11:59 | em: Felipe Sales

Foto: Ilustração

Diversas são as manifestações de leitores que enviam textos de ocorrências policiais ou denúncias políticas ao site A Voz do Campo. Muitas delas sempre são finalizadas com “prefiro que meu nome e minha foto não sejam reveladas“. A Voz do Campo mantém sigilo por respeito às pessoas (a quem fornece a notícia e a quem tem interesse de saber). O que mais importa para uma sociedade: a informação ou o nome/foto da pessoa?

Análise:

Uma mulher é assaltada. Ela faz a denúncia para alertar a todos para que não passem pela mesma situação. A foto dela precisa ser exposta? Expor a imagem dessa pessoa, já fragilizada, é gerar mais medo nela e consequentemente na população. O que a sociedade ganha com isso? Ganha pessoas caladas que, com medo da exposição e de todo o transtorno subsequente, não fazem suas denúncias à polícia e à imprensa. Longo prazo, todos seremos mudos por isso. Medo da exposição!
Uma pessoa faz uma denúncia política. Qual o intuito de saber quem a fez? Perseguição.

Que a gente aprenda: a nossa curiosidade não pode ser maior que a segurança/integridade/sigilo alheio, sob pena de passarmos a ser um sociedade calada. O sensacionalismo só trás problema. Que um dia sejamos uma sociedade que vê na notícia e nas informações uma forma de melhorar, não de sanar as meras curiosidades que só nos levarão a um lugar comum de falta empatia. Falta de empatia é uma circunstância onde não compreendemos o outro emocionalmente. É para este lugar comum que estamos caminhando.

Felipe S. Sales
Coordenador de Edição
A Voz do Campo

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Conto de terror: “Dois medrosos valentes na Casa do Vaqueiro no Quererá”

17 de ago de 2017 às 10:11 | em: Araci,Felipe Sales,Tucano

Casa dos Vaqueiros reformada em 1962 | Foto: Felippe Moura

Conto escrito por Felipe S. Sales: “Dois medrosos valentes na Casa do Vaqueiro no Quererá”

“De terror, acovardados, os dois jovenzinhos, coitados, não puderam nem gritar, lamentando tanto azar!”, teriam que dormir logo no Quererá. Infelizes, tiveram que dormir na Casa dos Vaqueiros. Logo naquele lugar, que de assombração só se ouvia falar. Vindos de Nova Soure, tinham andado léguas e léguas a cavalo. Desceram serra e subiram serra. Estavam cansados.

A Casa dos Vaqueiros, que fica lá pras bandas do Quererá, sempre foi o mais temido paradeiro de tropeiros desde o Brasil imperial. Antes da casa recente, lá era uma casa quase caída. O local dava apoio à estrada das boiadas. Ligava o litoral aos sertões sem precisar passar por Feira de Santana. Por ela o matuto ia para Juazeiro, Jacobina (…), todo lugar! Lá passava todo tipo de gente, do bem e do mal. Alma boa e alma ruim. Já dizia o ditado popular: “lá (…), matavam um na segunda e guardavam o outro para a terça”. Ninguém queria parar lá. O areão do tabuleiro cansava o cavalo. A subida e a descida da serra surravam o animal e o vaqueiro. Ao final, todo mundo parava lá para pernoitar. Ainda tinha quem se perdia. Que sina!

Raimundinho, filho de índia casada com homem nobre, tinha virado homem naquele dia. Antenor, de família pobre das bandas de Teofilândia, já era homem há alguns anos. Eles apearam o cavalo naquele lugar e logo as carnes se tremeram. Nenhum era valente! Mas eram corajosos. Ao menos um mostrava coragem para o outro. A noite tinha chegado, o vento assobiava e o frio trincava os dedos (…). Era o Quererá.

Foto: Felippe Moura

Num salto dos olhos; daqueles que não se vê, se ouve, eles avistaram uma boiada correndo pelo pasto. O gado corria mais que onça brava. Na casa, ouviram gritos e sussurros. “Alguém deve estar lá”, murmurou Raimundinho. “É tardinha, ainda deve ter vaqueiro com gado no mato”, afirmou Antenor. Entraram na casa. Era um gato. Uma corrente batia na porta. “Deve ser alguém”. Era um gato. Acovardados, sem gritar, cochilaram. Pensando no aniversário que não comemorou, Raimundinho acordou na madrugada. Precisava tomar água e usar o banheiro no mato de fora. Relutou. Sem escolha, saiu ao vento. Logo ouviu um papoco no curral. O cavalo relinchava. Parecia que tinha uma vaquejada no mato. ‘Ê boiada! Só pode”, pensou. Antenor acordou. “Ouviu isso, Antenor?”. “Tô vendo”. O cavalo aquietou. Uma voz gritava dentro da casa. Tinha alguém chorando. Tinha um bebê também. Não contaram conversa, passaram sebo nas canelas. “Vamos ficara aqui na  estrada. A noite passa logo. Amanhã a gente pega tudo e parte daqui do Quererá”.

Foto: Felippe Moura

O dia raiou com o sol na cabeça dos jovenszinhos. Noite agitada. Estavam cansados e perderam a hora. Eles voltaram à Casa dos Vaqueiros. Não tinha ninguém. Mas parecia que lá tinha havido uma festa. No canto de Antenor, até tinha marca de mijo. Os cavalos estavam com rabo e crinas enroladas. O mato estava baixo. Tinha muito mato retorcido. “Esse lugar é assombrado. É muita pantumia. Até os bichos estão assustados”. Desceram mais a serra e chegaram no Araci. Pararam no seu Zezinho armarinho. Ainda seguiriam para Santaluz. “Era a caipora”, contaram como se fossem valentes. Raimundinho, que já gostava de causos, era o mais eufórico. Com peito estufado, o chicote de couro no pulso, e gesticulando muito, gritava: “A caipora deu um carreiro em riba do carro de boi. Subiu no cavalo de Antenor. Peguei meus patuá e botei ela no seu lugar”. Antenor tomava uma pinga: “pra acalmar o susto!”. Ouvindo, seu Vitô sussurrava de lá: “esses devem ter se cagado lá!”.

Contextualização do Quererá

O Quererá faz divisa politica e administrativa entre as cidades de Araci e Tucano. Geograficamente, a região está situada dentro da Bacia Hidrográfica do Tucano, que é marcada pela Depressão Sertaneja. Na região, há áreas planas formadas por processos erosivos comuns das regiões semiáridas Essas vastas superfícies aplainadas encontram-se pontilhadas por inselbergs (afloramento de rocha) e maciços montanhosos isolados, por vezes, desfeitos em um relevo de morros e serras baixas. A sua vegetação característica é a caatinga, sendo ela uma formação vegetal resistente a grandes períodos de estiagem, mais seca, rala, de porte baixo e de solo pedregoso.

Grutas no Quererá | Foto: Felipe Sales

A pré-história do Quererá é um capítulo à parte. A região é fonte de riquezas peleontológicas. Há achados recentes de animais da megafauna pleistocênica (grandes mamíferos), que viveram no Brasil até os últimos 14 mil anos. Na região existem indícios de comunidades indígenas pré-históricas e de contato. Há um grande potencial e histórico oral para ocupações de sociedades tupiguaranis até o início da colonização europeia no Brasil. O próprio topônimo “Quererá”, apesar de pouco explorado lingusticamente, tem provável origem tupi. Os séculos XVII e XVII foram marcados pelas ocupações de grupos indígenas tapuias na região do Querará. Os índios kiriris, que hoje ocupam o norte da Bahia, eram presença constante na dinâmica cultural local. Estes foram os últimos indígenas a ocupar a região do Sisal, especialmente os tabuleiros e as zonas mais altas. Por causa da Estrada das Boiadas, que ligava o litoral aos sertões (Rio Real a Jacobina) e pesava pela região, a história recente do Quererá é marcada pelo contato entre vaqueiros, tropeiros, indígenas e comerciantes na região. É a consequência destas dinâmicas históricas e desses sujeitos culturais que surgiram as culturas atuais.

Arquivo de noites com amigos no Quererá | Foto: Felipe Sales

Sobre o autor

Felipe S. Sales é Arqueólogo,  Preservador Patrimonial e Gestor Ambiental. É funcionário da Rialma Energia Eólica, Sócio-coordenador na CRN-Bio Consultorias Integradas e um dos proprietários do site A Voz do Campo. O conto aqui apresentado é uma história fictícia e foi produzido a pedido de Felippe Moura, para que o mesmo esteja no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). É inspirado nas histórias de terror contadas por seus avós, Raimundo Moreira e Antenor Sales.

Raimundo e Antenor | Foto: Felipe Sales

Uma homenagem a vô Antenor e In memoriam de vô Raimundo.

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Rede Globo descarta Temer e emplaca provável nova presidente – Artigo de Felipe Sales

19 de maio de 2017 às 16:08 | em: Felipe Sales

Carmem Lúcia em reunião com empresários | Foto: Ilustração

A Globo continua sua incursão contra Temer em sua programação. Temer merece, mas na Globo, nada é de graça. Sabem quem será a nova Presidente da República?

Dicas:

1) Ela fez reunião recente com o dono do Itaú e os donos da Globo;
2) Ela já se posicionou a favor das reformas trabalhista e previdenciária;
3) Ela “não é política”. Como dizem os “analistas” da Globo, “o substituto de Temer não pode ser parlamentar. Tem que ser da sociedade civil ou do judiciário”.
4) Ela é do judiciário.

É tudo claro no xadrez do poder. “É um acordo nacional até com o judiciário”, disse o senador Romero Jucá. O Jucá só não sabia que seria que o acordo ia mais à frente e o PMDB seria descartado. Meirelles já sabe que vai continuar no Ministério da Fazenda, disse nesta sexta-feira (19). Bonner já chama Temer de ex-presidente em plano Jornal Nacional. Os donos do Brasil armaram tudo. Nós, o povo, estamos no meio do processo. Carmem Lucia é o nome dela. Anotem!

Felipe S. Sales – Arqueólogo e Gestor Ambiental

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Estação Ferroviária de Salgadália; um mergulho na história

27 de abr de 2017 às 15:44 | em: Conceição do Coité,Felipe Sales

Foto de 1950 | Foto: Estações Ferroviárias

A linha que ligou efetivamente a estação de São Francisco, em Alagoinhas, ao rio São Francisco, em Juazeiro, foi aberta entre 1880 e 1896 pelo Governo Brasileiro. Essa era a principal rota de distribuição de produtos e passageiros da região Sisaleira. A Estação de Salgada (Salgadália) foi inaugurada em 1885, segundo o Guia Geral de Ferrovias publicado em 1960. Cyro Deocleciano afirma em seu  livro de 1886 que todo o trecho além da estação de São Francisco estava em construção nessa época, citando no trecho a ser aberto o nome da estação.

Foto: Paulo Roberto Fragoso (2010)

Em 1940, a situação do pátio era bem ruim – e a estação já se chamava Coité: “A estação de Coité é de madeira. O armazém é um carro velho de mercadorias. A casa de turma precisa de reparos gerais“, tem escrito no Boletim da Associação Brasileira de Engenharia Ferroviária. O nome da linha foi alterado para Salgadália nos anos 1940. Em 1943 foi entregue o prédio atual, em alvenaria e bastante simples. O prédio assemelha-se às tipologias construtivas da época.

Imagem da década de 1970 | Foto: Autor desconhecido

A estação fica há 19 quilômetros do centro do município de Conceição do Coité, no Distrito de Salgadália, um importante pólo de produção de sisal da região. A ferrovia foi bastante importante para a economia da região durante décadas, sendo a principal forma de escoar a produção agrícola (sisal, em especial). O prédio, que guarda essa história, hoje está descaracterizado e carece de maior atenção do poder público. A preservação do patrimônio que guarda a história é não só um direito, é um dever do poder público. 

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Maior açude de Araci, o Poço Grande está na iminência de acabar; entenda o porquê

18 de abr de 2017 às 19:40 | em: Felipe Sales

Foto: Google Eath | Imagem de satélite do Riacho Carnaíba. Bancos de areia no Riacho e a inexistência de mata ciliar

Isso não será hoje ou amanhã, mas relógio para acontecer está correndo. Infelizmente. Entenda:

A região do sisal apresenta clima tropical semi-árido. Os índices de chuva variam de 2.000 milímetros (mm) até valores inferiores a 500 mm anuais. É baixo demais. A precipitação média anual é inferior a 1.000 mm. O período chuvoso normalmente dura apenas dois meses no ano, podendo, eventualmente, até não existir (como ocorreu nesses últimos anos). Esses fenômenos causam as tão afamadas “secas sertanejas”. Recentemente, muitas chuvas são torrenciais (fortes) e em eventos específicos. Ou seja, vem a seca prolongada e depois as grandes chuvas. Os resultados são: lamaçais, erosão de solos, derrubada de árvores, entupimento de riachos e etc (…). A seca, por si, justifica a presença de um açude como o Poço Grande na região. A água é e sempre será um bem necessária.
O Poço Grande, que fica localizado na zona rural de Araci, foi inaugurado em 14 de junho 1966, através de uma iniciativa do Governo Federal, por meio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS. Ele têm capacidade de armazenamento de 65.000.000 m³ de água.

Foto: Google Eath | Imagem de satélite do açude com seus afluentes a leste (esquerda)

Ao observar o reservatório atual através de imagens de satélite e programas específicos de geoprocessamento, o resultado é, definitivamente, preocupante. Motivo?
Observa-se a necessidade de que sejam implantadas medidas paliativas iniciais e instauradas ações concretas de manejo e reabilitação da bacia do Poço Grande. Em resumo: está na hora de encarar o problema porque o açude pode acabar. As chuvas e a realidade que se desenha são desoladoras para as características do açude e podem aceleram seu “entupimento” com terra. Simples assim? Explico.
Os principais afluentes que desaguam e alimentam o açude são o Riacho Carnaíba e Pau-a-pique. O açude, por si, morre não fossem eles. O poço grande que vemos é apenas uma área baixa onde foi implantado um barramento de água na década de 1960. É uma equação simples: riachos + áreas baixas + barramento de água = açude.
Esses riachos são calhas de drenagem intermitentes, ou seja, não apresentam lâminas d’água em todos os períodos do ano. Eles não “pegam” água o tempo todo, só quando chove. E onde está o problema?
Um componente fundamental deve ser observado e monitorado para que esses riachos não morram ou gradativamente  possam assorear (entupir) o açude: a mata ciliar. Se são os riachos que abastassem o açude e eles nem sempre estão cheios, é preciso manter preservada a área vegetada que existe no entorno (laterais) do açude. Correto? Isso. Essas são áreas protegidas por leis específicas de preservação ambiental. Elas devem ser preservadas porque se forem desmatadas, os rios ou os riachos acabam.
Com os riachos que alimentam o poço grande as matas ciliares estão desmatadas em diversos pontos. Eles estão levando terra para o açude. Estão desmatando para agricultura e pecuária. A falta de iniciativas de gestão ambiental municipal, do DNOCS e do estado não ensinam o manejo ao povo. Grande parte das vezes, o erro é resultado da desinformação e de ineficiência institucional, não de quem desmata. Como sabemos, o resultado do desmatamento dessas matas é o assoreamento das calhas de drenagem. Essas calhas são os locais onde a água passa, que são sempre mais profundos que o solo da área vegetada. Sem vegetação nas laterais, toda e qualquer chuva forte resulta em terra no talvegue do riacho (parte profunda do meio). Recordando que a região apresenta, comumente, chuvas torrenciais (fortes), é possível calcular, tecnicamente, a dimensão do problema. Em termos de comparação, a falta dessa mata resulta no mesmo problema de andarmos meio a um temporal com os olhos abertos e cílios (dos olhos) cortados. O resultado, logicamente, é terra nos olhos e eventual futura cegueira.

Foto: Atualmente

Portanto, antes que tenhamos que lamentar a futura a provável “cegueira” do açude do Poço Grande, é necessário que, urgentemente, as autoridades políticas e administrativas de Araci e região atenham-se a este problema e implantem um plano de gestão eficiente para o mesmo. Deve-se acionar os órgãos competentes INEMA (Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos) e o DNOCS. Devem-se iniciar ações práticas de Educação Ambiental na região. Esse é o paliativo. O resultado efetivo virá com secretaria de meio ambiente (ou semelhante) atuante com uma frente que intercale: fiscalização, articulação política, educação e manejo. A competência no sentido de resolução é (e deverá ser) compartilhada entre todos. Se não houver atenção prévia, dezenas de famílias terão que abandonar suas casas por falta d’água e fonte de renda. Vá ao Poço Grande e percorram os riachos que o alimentam. Vocês poderão ver sobre o que eu escrevi. O poço grande está sendo enterrado porque não há mata ciliar em seus riachos e está na iminência de acabar. Não é um alarde, é uma previsão técnica.

Felipe Silva Sales – Arqueólogo e Preservador Patrimonial | MBA em Gestão Ambiental | CRN-Bio Consultoria Sócioambiental

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A história de Araci é mais complexa do que pensamos; entenda

04 de abr de 2017 às 15:39 | em: Felipe Sales

Vaqueiros na praça da Conceição | Fonte: Aguida Ferreira de Santana

Pouco se aprofundou sobre a história de Araci. Portanto, já paramos para refletir que a nossa história é mais complexa do que aquela tradicionalmente apresentada? Provavelmente, não; a contar pelo que é estudado nos currículos escolares e pelo que se lê nos textos oficiais.  Aprendemos que a história da cidade se inicia com o afamado, eminente e vertiginoso Capitão José Ferreira de Carvalho, que, no ano de 1812, fundou sua Fazenda no entorno do Tanque da Nação e lá residiu. Entre tropeços e perrengues, sucessos e insucessos, a fazenda cresceu e tornou-se a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Raso. Com emancipação decisiva em 1956, Araci é uma cidade jovem e carente por sua história. Com exceção de estudos e trabalhos louváveis, como o da professora Ana Nery Carvalho (2014), e clássicos, como o livro de Mota Carvalho Lima (1985), pouco se explorou nossa história. Igualmente, quando explorada, a história tem a chegada do Capitão como inicio e não avança a aspectos antropológicos dos processos. Discorre-se sobre os processos administrativos ou sobre as personalidades familiares. Mas a história é maior que isso. Já paramos para pensar o porquê do nome do Tapuio? Já refletimos sobre o Quererá? E o nome “Araci”? Ambos são tem topônimos de origem indígena, do tronco linguístico tupi. Os tapuias eram os grupos não tupis. Traduzindo; eram os “bárbaros”. Araci, ou a’ra sü, também em tupi, é Mãe do Dia, Aurora ou a Luz do Dia. E Quererá? A dúvida me surge. Seria uma variação do verbo “querer”? Seria esse verbo no futuro do presente simples ou mais um topônimo de origem indígena? A entonação é forte à moda indígena. Mais que isso, basta conversar com os mais velhos e ouvir: “aqui era terra de índio”. A história cultural das tribos pré-coloniais está repleta de relatos assim: os tupinambás optavam por terras altas, planas, frias e próximas a fontes d’água. Essa não seria uma descrição do Quererá? A bica, como dizem, foi descoberta por índios.

Primeira Igreja de Araci, construida em 1859 e demolida em 1959 | Fotos Antigas de Araci

Diante disso, refletimos: então, a história de Araci é maior (…). Tivemos índios antes da chegada do eminente Capitão! Só isso? Certamente, não!
Araci não é uma terra de pessoas predominantemente brancas ou pardas. Há negros, muitos negros. A belíssima cultura africana também é muito viva na cidade e seus traços também. Basta recuarmos às informações da presença de escravos na fazenda de José Ferreira. É por todos esses aspectos que devemos refletir: enquanto Aracienses; quem somos? Certamente a consequência da mistura de toda essa complexidade biológica e, principalmente, cultural. A pluralidade nos define e nos caracteriza. A história desse dinâmico processo do que hoje vem a ser Araci precisa ser, cada vez mais, explorada. Por isso, convido os jovens de Araci a refletir sobre o tema e, para aqueles que fazem cursos superiores de História, Geografia, Arqueologia, Antropologia e afins, os instigo a pensar nossa cidade com um olhar mais profundo e completo. A cidade ainda não está inserida no ciclo do desenvolvimento de grandes projetos infraestrutura. Executei e coordenei dezenas de serviços no licenciamento ambiental e cultural. Vi, em muitos casos, pesquisadores sem nenhuma identidade local escrever sobre a história de cidades, com resultados risíveis, pois não havia interesse dos estudiosos ou moradores locais. Não havia bases contextuais pré-estabelecidas. A pouca profundidade das produções e o consequente baixo aproveitamento histórico cultural é muito comum. Ao trabalharmos esses temas na UEFS, FTC, UFBA ou UNOPAR, mesmo que de forma incipiente; estaremos prontos para quando a região receber os famosos Parques Eólicos, as Linhas de Transmissão ou demais obras estruturantes. Já teremos um arcabouço estabelecido para dizer: em nossa cidade já existimos e os estudos de licenciamento podem (e devem) ser produzidos com qualidade e com nossa participação. Os valores são altos e os resultados nem sempre são compatíveis. Acordarmos para essa realidade é um passo necessário.

Felipe Silva Sales – Arqueólogo e Preservador Patrimonial | MBA em Gestão Ambiental

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A história de Araci é mais complexa do que pensamos; entenda

05 de mar de 2017 às 11:13 | em: Felipe Sales
Vaqueiros na praça da Conceição | Fonte: Aguida Ferreira de Santana

Vaqueiros na praça da Conceição | Fonte: Aguida Ferreira de Santana

Pouco se aprofundou sobre a história de Araci. Portanto, já paramos para refletir que a nossa história é mais complexa do que aquela tradicionalmente apresentada? Provavelmente, não; a contar pelo que é estudado nos currículos escolares e pelo que se lê nos textos oficiais.  Aprendemos que a história da cidade se inicia com o afamado, eminente e vertiginoso Capitão José Ferreira de Carvalho, que, no ano de 1812, fundou sua Fazenda no entorno do Tanque da Nação e lá residiu. Entre tropeços e perrengues, sucessos e insucessos, a fazenda cresceu e tornou-se a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Raso. Com emancipação decisiva em 1956, Araci é uma cidade jovem e carente por sua história. Com exceção de estudos e trabalhos louváveis, como o da professora Ana Nery Carvalho (2014), e clássicos, como o livro de Mota Carvalho Lima (1985), pouco se explorou nossa história. Igualmente, quando explorada, a história tem a chegada do Capitão como inicio e não avança a aspectos antropológicos dos processos. Discorre-se sobre os processos administrativos ou sobre as personalidades familiares. Mas a história é maior que isso. Já paramos para pensar o porquê do nome do Tapuio? Já refletimos sobre o Quererá? E o nome “Araci”? Ambos são tem topônimos de origem indígena, do tronco linguístico tupi. Os tapuias eram os grupos não tupis. Traduzindo; eram os “bárbaros”. Araci, ou a’ra sü, também em tupi, é Mãe do Dia, Aurora ou a Luz do Dia. E Quererá? A dúvida me surge. Seria uma variação do verbo “querer”? Seria esse verbo no futuro do presente simples ou mais um topônimo de origem indígena? A entonação é forte à moda indígena. Mais que isso, basta conversar com os mais velhos e ouvir: “aqui era terra de índio”. A história cultural das tribos pré-coloniais está repleta de relatos assim: os tupinambás optavam por terras altas, planas, frias e próximas a fontes d’água. Essa não seria uma descrição do Quererá? A bica, como dizem, foi descoberta por índios.

Primeira Igreja de Araci, construida em 1859 e demolida em 1959 | Fotos Antigas de Araci

Primeira Igreja de Araci, construida em 1859 e demolida em 1959 | Fotos Antigas de Araci

Diante disso, refletimos: então, a história de Araci é maior (…). Tivemos índios antes da chegada do eminente Capitão! Só isso? Certamente, não!
Araci não é uma terra de pessoas predominantemente brancas ou pardas. Há negros, muitos negros. A belíssima cultura africana também é muito viva na cidade e seus traços também. Basta recuarmos às informações da presença de escravos na fazenda de José Ferreira. É por todos esses aspectos que devemos refletir: enquanto Aracienses; quem somos? Certamente a consequência da mistura de toda essa complexidade biológica e, principalmente, cultural. A pluralidade nos define e nos caracteriza. A história desse dinâmico processo do que hoje vem a ser Araci precisa ser, cada vez mais, explorada. Por isso, convido os jovens de Araci a refletir sobre o tema e, para aqueles que fazem cursos superiores de História, Geografia, Arqueologia, Antropologia e afins, os instigo a pensar nossa cidade com um olhar mais profundo e completo. A cidade ainda não está inserida no ciclo do desenvolvimento de grandes projetos infraestrutura. Executei e coordenei dezenas de serviços no licenciamento ambiental e cultural. Vi, em muitos casos, pesquisadores sem nenhuma identidade local escrever sobre a história de cidades, com resultados risíveis, pois não havia interesse dos estudiosos ou moradores locais. Não havia bases contextuais pré-estabelecidas. A pouca profundidade das produções e o consequente baixo aproveitamento histórico cultural é muito comum. Ao trabalharmos esses temas na UEFS, FTC, UFBA ou UNOPAR, mesmo que de forma incipiente; estaremos prontos para quando a região receber os famosos Parques Eólicos, as Linhas de Transmissão ou demais obras estruturantes. Já teremos um arcabouço estabelecido para dizer: em nossa cidade já existimos e os estudos de licenciamento podem (e devem) ser produzidos com qualidade e com nossa participação. Os valores são altos e os resultados nem sempre são compatíveis. Acordarmos para essa realidade é um passo necessário.

Felipe Silva Sales – Arqueólogo e Preservador Patrimonial | MBA em Gestão Ambiental

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