#ELENÃO; Artigo de Astério Moreira sobre as Eleições 2018

01 de out de 2018 às 12:28 | em: Astério Moreira

Foto: Ilustração

Artigo de autoria do Advogado, escritor e produtor audiovisual, Astério Moreira:

A raiva nacional ganhou voz e vez, a ferocidade do brasileiro tem cara, tem nome e tem número eleitoral. A ira mais incubada, o ódio mais recôndito, o medo enraivecido, a vaidade mais disfarçada, a ignorância mais profunda, a indiferença gritante e a ruindade anônima do Brasil agora têm uma cara e estarão nas urnas do próximo domingo. E eu me pergunto: É verdade que vivi para ver isto?

Publicamente, não costumo discutir política eletiva, por dois motivos que considero: aqui, as candidaturas são pessoalizadas e eu vivo em um país com pouca ou nenhuma ideologia partidária e diversos entes políticos que se cruzam e entrecruzam em uma promiscuidade mesquinha absurda – Aqui, política é jogo de poder e ponto! Deste modo, não acredito em um herói nacional e, quando voto, prefiro escolher planos e diretrizes do que pessoas.

Mas a atual conjuntura eleitoral brasileira, não pode ser objeto de uma simples discussão política, é muito mais do que isto. A questão é moral, é de análise do comportamento! Há algo muito além do simples fato de escolher um representante ao executivo do país, acho que requer uma análise de quem vota.

Vejamos: quem vota no 17 quer o primado do bem e do bom, quer antes de tudo a moralização da política nacional por meio da redenção que vem de um candidato de pulso firme, isto não se discute e é nobre, mas também é ingênuo. Primeiro, porque isto não existe e não pode ser feito de cima para baixo, isto começa aqui embaixo, por meio de mudança própria, do desenraizar do nosso “eu corrupto”, do estruturar da nossa participação no conjunto de forma mais presente e analítica – tarefa hercúlea pra brasileiro, eu sei! Segundo, porque o candidato de legenda 17 não tem cacife político para promover mudança nenhuma: ele é uma canoa à deriva no mar político. Lembremos que ele tem quase três décadas de representação pública e somente 2 projetos aprovados.

Somado a isto, o perfil do candidato está longe de ser louvável. Ele se firma no modelo militar de probidade, força e ordem, a figura do pai com a palmatória. Mas ele não é só isto.  Ele publicamente já se fez agressivo e repulsivo. Preste atenção na gravidade dos fatos: Ele fez elogio a um torturador em meio a sessão televisionada do congresso, ele chamou uma deputada federal de vagabunda em rede nacional, ele afirmou em uma palestra “Eu tenho 4 filhos, no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher…”, Ele disse também que ter filho gay é “falta de couro” na infância, ele disse (ao visitar uma comunidade quilombola) que o negro mais leve pesava 7 arrobas e não servia nem para procriar, ele chama comunidade indígena de minoria que só serve para a mamar nas tetas do dinheiro público –  nada disto é falso, pode apurar! Eu queria muito pelo menos ver o mínimo de possibilidade de ter havido um equívoco no discurso, uma escorregada que acabou num aparente erro, mas não há! O que ele diz é claro e é público! Não há defesa para o que ele diz.

Quem vota convicto no 17, vota por semelhança ou por ignorância. Nenhum dos dois casos é nobre. O primeiro é vilania e o segundo é indolência e indiferença. Quem vota no 17 reafirma cada frase dita por um homem violento que despreza homossexuais, negros, indígenas, um homem agressivo que inferioriza mulheres, um homem arrogante que, em vão, disfarça sua canalhice na figura do debochado mito destemido. Se nenhuma das ofensas ditas por ele te fere diretamente, ao menos, tenha empatia por quem sofre sendo vítima dos ataques. O que ele diz não é mentira, não é gracejo, não é provocação de menino arreliento – ele é um adulto concorrendo à presidência!

Para todos estes que votam 17, lembro que existem outras 12 possibilidades de candidatura menos perversas. Existem menos piores.

#ELENÃO

Autor do texto: Astério Moreira

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