Astério Moreira

#ELENÃO; Artigo de Astério Moreira sobre as Eleições 2018

01 de out de 2018 às 12:28 | em: Astério Moreira

Foto: Ilustração

Artigo de autoria do Advogado, escritor e produtor audiovisual, Astério Moreira:

A raiva nacional ganhou voz e vez, a ferocidade do brasileiro tem cara, tem nome e tem número eleitoral. A ira mais incubada, o ódio mais recôndito, o medo enraivecido, a vaidade mais disfarçada, a ignorância mais profunda, a indiferença gritante e a ruindade anônima do Brasil agora têm uma cara e estarão nas urnas do próximo domingo. E eu me pergunto: É verdade que vivi para ver isto?

Publicamente, não costumo discutir política eletiva, por dois motivos que considero: aqui, as candidaturas são pessoalizadas e eu vivo em um país com pouca ou nenhuma ideologia partidária e diversos entes políticos que se cruzam e entrecruzam em uma promiscuidade mesquinha absurda – Aqui, política é jogo de poder e ponto! Deste modo, não acredito em um herói nacional e, quando voto, prefiro escolher planos e diretrizes do que pessoas.

Mas a atual conjuntura eleitoral brasileira, não pode ser objeto de uma simples discussão política, é muito mais do que isto. A questão é moral, é de análise do comportamento! Há algo muito além do simples fato de escolher um representante ao executivo do país, acho que requer uma análise de quem vota.

Vejamos: quem vota no 17 quer o primado do bem e do bom, quer antes de tudo a moralização da política nacional por meio da redenção que vem de um candidato de pulso firme, isto não se discute e é nobre, mas também é ingênuo. Primeiro, porque isto não existe e não pode ser feito de cima para baixo, isto começa aqui embaixo, por meio de mudança própria, do desenraizar do nosso “eu corrupto”, do estruturar da nossa participação no conjunto de forma mais presente e analítica – tarefa hercúlea pra brasileiro, eu sei! Segundo, porque o candidato de legenda 17 não tem cacife político para promover mudança nenhuma: ele é uma canoa à deriva no mar político. Lembremos que ele tem quase três décadas de representação pública e somente 2 projetos aprovados.

Somado a isto, o perfil do candidato está longe de ser louvável. Ele se firma no modelo militar de probidade, força e ordem, a figura do pai com a palmatória. Mas ele não é só isto.  Ele publicamente já se fez agressivo e repulsivo. Preste atenção na gravidade dos fatos: Ele fez elogio a um torturador em meio a sessão televisionada do congresso, ele chamou uma deputada federal de vagabunda em rede nacional, ele afirmou em uma palestra “Eu tenho 4 filhos, no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher…”, Ele disse também que ter filho gay é “falta de couro” na infância, ele disse (ao visitar uma comunidade quilombola) que o negro mais leve pesava 7 arrobas e não servia nem para procriar, ele chama comunidade indígena de minoria que só serve para a mamar nas tetas do dinheiro público –  nada disto é falso, pode apurar! Eu queria muito pelo menos ver o mínimo de possibilidade de ter havido um equívoco no discurso, uma escorregada que acabou num aparente erro, mas não há! O que ele diz é claro e é público! Não há defesa para o que ele diz.

Quem vota convicto no 17, vota por semelhança ou por ignorância. Nenhum dos dois casos é nobre. O primeiro é vilania e o segundo é indolência e indiferença. Quem vota no 17 reafirma cada frase dita por um homem violento que despreza homossexuais, negros, indígenas, um homem agressivo que inferioriza mulheres, um homem arrogante que, em vão, disfarça sua canalhice na figura do debochado mito destemido. Se nenhuma das ofensas ditas por ele te fere diretamente, ao menos, tenha empatia por quem sofre sendo vítima dos ataques. O que ele diz não é mentira, não é gracejo, não é provocação de menino arreliento – ele é um adulto concorrendo à presidência!

Para todos estes que votam 17, lembro que existem outras 12 possibilidades de candidatura menos perversas. Existem menos piores.

#ELENÃO

Autor do texto: Astério Moreira

Observação: O conteúdo deste artigo é de autoria de Astério Moreira. Você tem uma opinião divergente? Envie seu texto para; 75 9 9158-4003. O site A Voz do Campo publica. Serão publicados artigos de eleitores de todos os lados políticos até o dia da eleição.

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João Abade: o esquecido; um pouco de Tucano na Guerra de Canudos

19 de ago de 2018 às 10:18 | em: Astério Moreira,Tucano

Foto: Ilustração

Era uma tarde quente, mas não de verão. Nestas terras, a queimação não varia conforme as estações do ano. Ele entrou na cidade no final da tarde, perto da hora da Ave-Maria. Sua entrada foi cercada de mistério, receio e do ranger de portas e janelas a serem fechadas. Entrou pela rua estreita do lado da Casa da Câmara que dava entrada para a vazia e poeirenta praça principal do povoado. Veio com pouca gente, uns poucos jagunços, algumas mulheres com crianças de colo, cinco ou seis velhos e dois jegues já cansados. A um moleque sentado na frente de uma velha casa perguntou “Além de Deus, quem protege o povo daqui?” e como se o menino não entendesse a pergunta, voltou a dizer “Quem é o santo padroeiro?”. “Sant’Ana”, disse o menino e benzeu-se o velho.

Aquele homem de barbas longas, quase na altura do peito, usava uma batina tão maltratada quanto seu próprio rosto escaveirado, uma batina que algum dia já tivera um azulado forte. Trazia sobre o tórax magro um rosário tosco de madeira. Na mão direita, segurava um tronco, um cajado que, segundo seus seguidores, achava água em qualquer terra seca e infértil. Parou em frente à Matriz, ajoelhou-se na grande escadaria da igreja e pediu licença a Deus e a Santa padroeira para ali descansar seus pés cheios de bolha. Depois de benzer-se, com uma autoridade de Messias disse “Aqui ficamos!” e o séquito que o acompanhava baixou as trouxas e as crianças no chão.

Procurou o vigário da paróquia, homem de muito ‘latinório’ e cânones, o peregrino queria permissão para adentrar a Matriz e ali fazer missão. O padre, que já ouvira falar do novo Messias sertanejo e que pouco gostava de concorrência religiosa muito menos em tempo de tão poucas ofertas, deu um riso de lado e de maneira fulminante rasgou a sentença “Não! Jamais! E saiba que o que o senhor faz é pecado, é crime. Falso Cristo!”. Mesmo assim o velho não desanimou, deu as costas e um sorriso plácido.

Com as portas da Matriz fechadas, sobre o adro da igreja iniciou sua pregação. Num tom agitado, próprio dos profetas, o peregrino berrou contra a República e contra os coronéis, “O homem que explora o homem rompe com Deus”. Bradava o cajado contra os céus, com os punhos fechados batia contra o peito, apontava as mais belas casas da praça e dizia “Do pó viestes e ao pó voltareis! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino dos Céus!”. Escandalizadas as famílias, que em suas casas tudo escutavam, fecharam portas e janelas com força e com medo.

De longe, ouviu-se um grito “E o senhor quem é?”, um rapaz de família abastada de nome João rompeu a praça com o fim de tirar satisfação com o beato praguejador. “Sou quem sou, sou quem Vossa senhoria acha que sou” assim disse o profeta. Num deboche, o rapaz disse “Pois, para mim, és um louco”. Os jagunços, fiéis servidores do profeta, desembainharam os facões, ato que foi reprimido de imediato pelo líder religioso. “Pois então, eu digo que sou um louco, um doido peregrino cansado de ver miséria e arrogância. E vosmecê, quem é?”. “João” assim o moço respondeu. Com seu olhar pungente sobre os olhos do rapaz disse “Nome grande! Nome de santo! Vosmecê é a voz que clama no deserto, é aquele que vem antes do Homem e terá a cabeça posta em jogo. Mil cairão ao teu lado, e dez mil à tua direita, mas tu serás o último”. Impressionado com os modos e a fala do homem, hipnotizado pela estanha profecia, deixou-se sentar na escadaria da igreja e passou a ouvir o sermão do peregrino.

A noite caiu, acamparam ali mesmo. Comeram o resto de carne seca misturada com farinha e um tijolo de rapadura. Nenhum cristão daquela povoação se apiedou da condição daqueles esqueléticos retirantes, exceto João que trouxera, a contragosto da mãe, Dona Iaiá, dois potes de água. Ninguém na vila ofereceu um pão, um punhado de feijão ou uma bolacha. O beato olhava para a cidade com sua praça vazia como quem condenava um réu à morte. Na escuridão da noite fria, rezou por aquele povo, não chegou a dormir. No terceiro canto do galo, a guarnição da cidade cercou o grupo, por ordem do presidente da câmara e influência do vigário, os peregrinos tinham que partir. “Mas o que fizemos nós?” perguntou o velho beato. “Ordem é ordem, o senhor tem que ir, ‘ajunta’ teu povo e segue teu rumo, essa gente daqui num acredita em rezador, não. Avie!”. O peregrino descalçou as sandálias e segurando as surradas alpercatas nas mãos, batendo uma contra a outra sentenciou em voz alta “Povo triste. Essa terra nunca vai passar disto daqui!”. O pó e a areia seca se desprenderam das chinelas do velho. O capitão da guarda benzeu-se sentindo um arrepio percorrer a espinha de baixo para cima.

Quando o comboio de maltrapilhos já saia. João gritou “Conselheiro! Eu vou contigo!”. Batendo nas costas do rapaz o velho disse “Ao menos tu, ao menos tu. Há um exército a te esperar, tu serás o guardador da santa terra. Não tenhas medo de Salomé”. Sem entender a profecia, João seguiu silencioso ao lado do homem de batina azul. Seguiu alegre, como quem tem certeza de que encontrou o próprio destino. Deixou a viúva mãe chorando na velha casa da praça, enquanto seguia sorrindo os passos do Messias nordestino.

Rumaram para longe, para uma terra onde havia um rio de leite e uma ribanceira de cuscuz.

Já próximo ao cemitério de muros baixos, o Conselheiro parou repentinamente, o povo estancou o passo. Virando-se para João, o velho homem disse “Ficarão as águas em sangue e se apagarão as luzes”.

Então, João soube que não mais veria a terra onde nasceu.

Texto do Advogado e entusiasta da Cultura, Astério Moreira.

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Ao Professor

08 de nov de 2017 às 23:30 | em: Astério Moreira

Quando soube da notícia pela tarde, levei com desconfiança o aviso – Tucano tem o péssimo hábito de finar e aleijar as vítimas antes do tempo e as redes sociais facilitam esta prática descuidada. Mas, infelizmente a notícia era verdadeira, o professor Rubens Rocha tinha ido embora na tarde de uma quarta-feira. Dia comum entre dias comuns, passagem sem alardes. Fiquei sentido com o acontecido. O professor em questão nunca lecionou nada para mim na frente de uma lousa, mas tinha o hábito de chama-lo assim só pela importância que tinha por ter me ensinado tanta coisa sobre o lugar onde nasci e, aquilo que não me ensinou, de algum modo, me incitou a descobrir.

Pelo que sei, o Rubens foi o primeiro interessado em fazer registro daquilo que ninguém tinha interesse: a história de um lugar sem história – Tucano. E isto já diz muito sobre ele. Não só escreveu como filmou, falou, promoveu e divulgou boa parte do que Tucano é em historicidade e cultura. Qualquer estudante que um dia se viu obrigado a pesquisar sobre a Imperial Vila de Sant’Anna e Santo Antônio dos Tocanos recaiu no famoso livro “História de Tucano” de 1976. Ele era sinônimo da história de um vilarejo velho que pouco sabe de si. Certa vez, me ligou entusiasmado, estava escrevendo um livro (o último) e queria que eu prefaciasse – “Olhe, eu leio o que você escreve e gosto muito” me disse com toda aquela dicção própria dele entre cortes de respiração profunda –, falei que eu não era nada, que não era historiador, que não tinha motivo para a escolha e ele disse certeiro e absoluto “Eu quero!”. Não tive como escapar. Escrevi. E fico muito feliz de ter podido escrever, porque pude agradecer a ele em vida por todo conhecimento dado e incitado.

Uma das últimas oportunidades em que estive com ele, foi justamente no lançamento do seu último livro, onde ele abriu o berro e reclamou com toda sua autoridade de velho senhor que a idade concede. Falou contra os poderes do município que nunca tiveram a decência de estar presente em um lançamento de livro seu, parecia bobagem, mero capricho do velho professor, mas percebi que não era. Ali, a revolta pessoal era um desabafo contra o descaso político com a cultura e história do município durante anos.  Ele tinha/tem razão. Nenhuma autoridade teve a consideração de olhar com atenção a cultura municipal que ele olhou com tanto cuidado e importância.

O professor se foi. A ele, meu agradecimento em nome desta gente que aprendeu um pouco mais sobre si através dele. À Dona Norma e a seus filhos, meus sinceros sentimentos. A Tucano, minhas condolências.

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Em defesa de Cristo – artigo de Astério Moreira

20 de set de 2017 às 22:50 | em: Astério Moreira

O Beijo de Judas – Giotto Di Bondone (1304)

“Meu amigo, volte logo, venha ensinar meu povo que o amor é importante, vem dizer tudo de novo” 

(Todos Estão Surdos – R. Carlos)

No céu…

Entre nuvens brancas imaculadas, cercado por querubins, serafins e arcanjos, o Espírito Santo empoleira-se arrulhando no ombro do Cristo que olhando para baixo de boca aberta diz para Javé solenemente “Meu pai, deu merda!”. Javé bocejando com sua voz trovejante pergunta “O que houve, meu filho?”. Apontando para a terra o Salvador diz “Olha ali para baixo! Ô gente burra. Entendem nada! A gente desce na maior boa vontade do mundo, conversa, dialoga, dá o exemplo, prega contra as tiranias, fala de caridade, manda todo mundo se amar e o que é que eles fazem? O contrário! Foi o mesmo que não ter dito! Ahh tenha a santa paciência!”. Javé coçando a barba diz “É… Tá puxado. O que é que eu fiz de errado, hein?!”. “O Senhor quer saber mesmo, meu pai? O erro foi criar a humanidade! Ô pirão perdido!”.

E no Brasil…

Entre um governo corrupto e ilegítimo sob o qual vive uma massa que nada faz a não ser olhar de boca escancarada e coçando os testículos o horror de um desavergonhado e patético teatro político. O noticiário semanal espoca em falsa cristandade hipócrita: 08/09/17 – Traficantes cariocas obrigam Mãe de Santo a destruir o próprio terreiro em Nova Iguaçu; 13/09/17 – Santander encerra exposição “Queermuseu” sobre questão de gênero e sexualidade por pressão de grupos religiosos e do MBL; 16/09/2017 – Juiz determina suspensão de peça teatral encenada por atriz transexual que atuava no papel de Cristo; 18/09/17 – Juiz libera tratamento psicológico para reversão sexual. Tudo em nome da moral, dos bons costumes, da família tradicional e da fé cristã. Há algo de podre no reino tupiniquim, não? Algo que cheira a enxofre.

Sempre acreditei que muita gente ao tentar servir a Deus (cegamente), acaba agradando o capiroto. Há uma musica do Padre Zezinho (conservador extremado, mas não burro) que desde menino ouço e fala claramente sobre isto “Em meu país cristão, às vezes muita gente não crê no que acredita e afasta o seu irmão da religião” e o que deveria agregar serve para dispersar. Se houver o mínimo pensamento crítico e analítico sobre o que é Cristo e sobre o que é o Cristianismo, há de se descobrir muita diferença. Não confundamos chamando Jesus de Genésio. Vejamos o Cristo humano: o revolucionário nazareno que marcou seu tempo e até hoje é lembrado, fez diferença no mundo porque foi o primeiro grande homem a revoltar-se e a promover a revolta contra um sistema extremamente opressor (a tirania do Império de Roma e a hipocrisia do Judaísmo arcaico) sem ódios, sem armas e sem guerras. O grande estouro de ideia de Cristo foi simplesmente pregar e dizer “amem-se”. Emanuel só veio ao mundo dizer isto dando prova de sua ideologia e já foi o suficiente para comover civilizações e transpor eras. O problema é o que fizeram daquilo que Cristo disse. De um cerne de amor tão simples, de uma doutrina tão pura onde o núcleo é só amar, agregaram centenas e milhares de doutrinas, dogmas, postulados, leis e tratados. E o Amor de Cristo que era o centro da crença em Cristo foi contaminado pelo terror/temor de Cristo que Ele nunca pregou. De toda doutrina Cristã (e não da doutrina amorosa de Cristo) nasceu toda ideia de bom costume, de boa educação, de tradição e de moral que impera hoje no ocidente. E aí, reside o erro.

Cristo não foi um moralista e isto se prova pelos próprios relatos que restaram sobre Ele (não contemporâneos a Ele e modificados pelo tempo), Emanuel fez seu dito primeiro milagre em meio a uma festa (transformando água em vinho!), andava com cobradores de impostos (corruptos da época), prostitutas e adúlteros, isto é, a escória da civilização da Judeia, os mal vistos. Cristo só acolheu. O único ato de uso de força que tenho lembrança que Jesus cometeu foi contra os vendilhões do templo, não porque considerasse o que eles estavam fazendo uma afronta a sua crença, mas por achar abusivo que a fizessem uma mercadoria como muito se faz ultimamente (“A casa de Meu Pai não é uma casa de comércio!”).

Perseguir a cultura afro-brasileira não é demonstração de fé em Cristo, é racismo; censurar manifestações artísticas sob a égide da moralidade tentando disfarçar o combate à diversidade sexual não é demonstração da fé em Cristo, é caretice homofóbica! O problema do Cristianismo é um problema presente em tantas outras instituições religiosas ou não, é o mau uso do poder. E o mau uso do poder na religião é ainda mais preocupante porque é totalmente alienante e tem força avassaladora. A força da palavra de um padre, de um pastor ou de um líder religioso outro ainda tem força de lei, de norma interiorizada no fiel justamente porque supostamente saiu da boca de um deus. E a verdade é que os pregadores pregam mais a si do que a Cristo.

Censurar, proibir, destruir e perseguir as manifestações artísticas e religiosas de um grupo pelo fato dela ser afrontosa ao Cristianismo tem base, mas por ser contrária a Cristo, não encontra qualquer escora! Não me ofertem o Velho Testamento como fundamento, Emanuel veio para rompê-lo. “O fim da Lei é Cristo” disse São Paulo (a quem eu tenho certas desconfianças)!  Impor ou cobrar censura daquilo que foge dos ditames do Cristianismo não é propagar e fazer respeitar a fé em Cristo! Não coloquem o nome d’Ele nisto por favor, Ele não mandou calar e perseguir ninguém. Ele é muito mais bonito do que aquilo que se acredita que Ele é. Gastemos nossa indignação com aquilo que merece ser visto como abuso e afronta. E Como diria o Padre Zezinho, lavemos o nosso “preconceito de Cristão…” porque é preciso sempre lembrar deste mote “…sei que da verdade não sou dono, eu sei que não sei tudo sobre Deus. Às vezes quem duvida e faz perguntas é muito mais honesto do que eu!”.

E No céu…

Cristo disse “Pai, acho que tá na hora de descer de novo!” e Javé respondeu “Vá com Deus!”.

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Os heróis de fundo sujo

07 de set de 2017 às 12:05 | em: Astério Moreira

“Brava gente brasileira! Longe vá, temor servil!”

(Hino da Independência – D.Pedro I e Evaristo da Veiga)

 

Quando Dom Pedro, em 7 de setembro de 1822, brandiu sua espada e, às margens de um rio, gritou “Independência ou Morte!”, acho que jamais imaginaria o rebuliço que viria a ser o país que acabara de fundar de improviso ali no meio do nada, mas seu intestino sabia muito bem! Reza a lenda que o emissário real, quando foi levar a carta em que a corte portuguesa exigia a volta do príncipe para Lisboa, encontrou o regente parado com sua comitiva na beira do rio Ipiranga, em São Paulo, passando muito mal, o nobre sofria de uma diarreia que o conteve no meio do caminho – Talvez prenúncio diarreico daquilo que este latino país viria a ser. Tornamo-nos independentes naquele momento não por coragem ou valentia, mas por ego ferido do príncipe que se acostumou a ser o grande soberano e não estava com disposição de perder cetro e coroa. Na covardia, ainda pagamos a Portugal um indenização gorda pelas mãos da Inglaterra, 2 milhões de libras esterlinas, não bastasse o que foi arrancado do solo nacional durante mais de 200 anos de colonização lusa. Assim, se venera um herói torto, nosso Dom Pedro I que deixou o país anos depois para intervir na corte portuguesa em favor de sua filha que sofria um golpe de seu irmão e genro Dom Miguel, deixando para trás o país que fundara em meio a uma caganeira sendo governado por um menino de 5 anos de idade, seu filho, D. Pedro II.

 

Não dá para levar muito a sério a política de um lugar que se emancipou de improviso no meio de uma violenta crise intestinal. Dom Pedro brandia o gládio soberano contra o despotismo português e seu intestino rugia alto anunciando nosso destino político. Assim, criamos o eterno mito do grande herói que nos salva da opressão, aquele que em tom altivo virá nos reger e salvar da desgraça imposta pelas circunstâncias opressoras de tiranos senhores, mas esquecemos de um ponto importante – me perdoem o termo -, heróis também fazem cagadas e feias cagadas. Quem tem o poder nas mãos tende a abusar dele seja por falta de caráter ou por megalomania. Quem rege tem que ter por hábito a expropriação diária do poder. Mentalmente dizer aquela frase “Só tenho porque me deram” e internalizar isto feito mantra repetido. Veja que simbólico presente recebemos um dia antes do 195º aniversário da independência do país, a polícia federal encontra em um apartamento numa área de luxo da capital baiana malas e caixas de dinheiro que pertencem a um ex-ministro já preso. Quando li a matéria que tratava do tema soou na minha mente o jingle que o ex-ministro usou na campanha para o senado “um homem forte no cenário nacional…”. De fato!

 

Bertold Brecht já dizia sabiamente “Infeliz da nação que precisa de heróis”. Não dá para esperar por uma salvação, não adianta acreditar num redentor, é preciso protagonizar é isto que o teatrólogo quer nos dizer. A política do “faz por mim” não tem dado muito certo, não é mesmo? O ex-ministro dá prova disto! Este governo federal fajuto é prova disto! O Brasil se desespera por um herói porque não sabe que pode se salvar. E eu acredito que esta seja a redenção final e plena. Escravizam-nos porque solaparam nossa inteligência, nos arrancando instrução e abusando da nossa necessidade – e isto é tão vil! Mais do que nunca, “é preciso estar atento e forte”, para muito além de nossa mesquinhez quadrienal, das nossas paixões medíocres que nos fanatizam de quatro em quatro anos.

 

O professor Darcy Ribeiro diz a coisa mais certa que já li sobre este país, nós somos “uma morena humanidade em flor à espera do seu destino. Claro destino, singelo, de simplesmente ser entre os povos e de existir para si mesmos…”. Nós ainda não existimos para nós mesmos e continuaremos assim enquanto esperarmos um redentor. É preciso ser crítico e agente político, é preciso assumir o papel na ópera que se encena. Não dá mais para acreditar em um Dom Pedro que agita a espada sobre um cavalo enquanto toda merda continua sendo feita.

 

Feliz aniversário, meus irmãos.

 

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A República Bananística do Brasil

11 de jun de 2017 às 14:23 | em: Astério Moreira

Paulo Gracindo como Odorico Paraguaçu em O Bem Amado de Dias Gomes

 

Isto deve ser obra da esquerda comunista, marronzista e badernenta” – (Odorico Paraguaçu, O Bem Amado – D.Gomes)

Quando você lê a seguinte mensagem escrita por um representante político local: “A volta da Ditadura da Democracia Aristocrática”, o que acontece com você? Eu rio!

Rio e rio muito, eu chego até a gargalhar, sinto até aquele orgulhozinho do folclore político de cidadezinha do interior, me sinto até personagem de uma trama escrita por Dias Gomes, Garcia Marques ou Jorge Amado, porque só mesmo uma mente tão “esquizofrenicamente faraônica” como a de um Odorico Paraguaçu seria capaz de formular um termo deste naipe. Expressão fina da prosa política regionalista caatingueira, coisa rara nos tempos de hoje em que prefeitos e vereadores perderam o gosto da oratória apoteótica empostando-se sobre os palanques e púlpitos! Joia rara do discurso político interiorano! Convenhamos, expressão assim é pérola preciosa que merce cuidado e exibição! Não minto, gostei e gostei muito!

Este discurso foi feito em resposta a uma matéria sobre a permanência do (FORA!) Temer na presidência da República. Mas, além de me fazer rir, me fez pensar. Pensei e dou toda a razão para esta denúncia feita pela expressão dita. Nós de fato vivemos em uma Ditadura da Democracia Aristocrática! A mensagem só erra em uma coisa: não é o retorno, não há volta, porque simplesmente ela desde sempre está estabelecida! Nós estamos em um país onde reina um autoritarismo de caráter elitista disfarçado de democracia, esta é a República Federativa do Brasil com seu capuz de Estado Democrático de Direito! Um título tão belo para encobrir tanta feiura.

Nós, desde a monarquia, estamos em um país dominado pela voz grossa e potente de quem tem os eleitos na mão, gente que dita lei sem ser legislador, gente que julga sem ter toga, gente que é Chefe de Estado sem nunca ter posto uma faixa no peito, gente de dinheiro que por dinheiro e para o dinheiro vive e se retroalimenta. Se isto não for uma ditadura aristocrática eu não sei o que é! Mas como é feio e politicamente incorreto transparecer tanto elitismo autoritário em pleno século XXI, o que se faz para não dar tanto na vista do povo? Ah.. sim! Tome lá uma grossa camada de democracia aparente estabelecida por lei para a garantia que nada garante! Pronto! Está feito o Brasil!

Portanto, o governo atual e a conjuntura política de hoje não é um retorno, é o que está posto. O que diferencia o que estava do que está é o descaramento, é o desavergonhamento, a política nacional perdeu até mesmo o pudor de transparecer o que é. Nós somos sim uma Ditadura da Democracia Aristocrática e estamos a um passo de sermos mais. Aliás, arrisco e afirmo que somos uma Ditadura da Democracia Aristocrática Neoliberal pseudoláica Fascista! Tenho dito!

Astério Moreira.

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Santo Antônio das Queimadas

03 de maio de 2017 às 21:45 | em: Astério Moreira

 

“Que seria de mim, meu Deus, sem a fé em Antônio?” (Santo Antônio – J. Velloso)

A você que me lê, deixo esta transcrição ipsis litteris de uma carta avulsa encontrada dentro de um dos livros de batistério da igreja matriz de Sant’Ana do Tucano, uma carta endereçada ao vigário, onde se narra a desventura surreal do padroeiro de Queimadas, o Santo Antônio.

 

Fotografia: Carta

 

Vossa Reverendíssima, senhor vigário da parochia da Imperial Villa de Sant’ Anna e Santo Antônio dos Tocanos,

 

Santo Antônio das Queimadas, 30 de julho de 1827

 

Saúde, paz e tranquilidade desejo-vos. Escrevo esta missiva a Vossa Reverendíssima para vos narrar o que tem sucedido nos arredores desta humilde capella de Santo Antônio das Queimadas e que por obra e graça de Deus está sujeita ao patronato de vossa parochia em Tocano. É preciso que saibais por fonte fiel o que é de vosso interesse, ou melhor, o que é de interesse de vossa parochia. Tentarei ser breve, mas a narrativa há de ser um tanto longa, pois minha preocupação é demasiada e me vejo na obrigação de vos contar os pormenores de todo o acontecido.

Bem sabeis, Vossa Reverendíssima, que estas terras estão oficialmente sob a divina proteção de nosso bom português Santo Antônio de Lisboa desde o anno da graça de 1815, quando foi erguida esta definitiva capella em sua honra. Talvez não saibais, porém, que estas terras têm uma forte ligação com este grande santo lusitano. Existe certa estória que reforça o que vos digo e da qual não duvido, pois a providência divina bem sabe mandar seus sinaes. Conta-se que a imagem do padroeiro, boa e bela peça em madeira, foi encontrada por D. Isabel Maria Guedes de Brito, a senhora destas terras, filha da Casa da Ponte, ao pé de uma grande árvore. Piedosamente, a senhora mui católica e fervorosa levou a imagem para si e a entronou em um nicho em sua residência na sede da fazenda As Queimadas, porém a imagem sumiu e foi encontrada no mesmo lugar em que aparecera, tendo sido novamente levada para a casa da devota senhora e tendo desparecido em seguida. Tantas vezes fosse ella reconduzida, tantas vezes tornaria a voltar. O milagroso santo era resgatado e desparecia para tornar a aparecer sempre debaixo da mesma árvore. D. Isabel interpretou isto como um sinal, mandando construir no lugar que o santo queria uma pequena capella, a primeira e mais velha, sob sua invocação e mudando o nome de sua propriedade para Santo Antônio das Queimadas. Desde então, estelugar tem mantido sua veneração honrosa a seu ditoso padroeiro que sempre nos tem mui ajudado junto a Deus, Nosso Senhor.

Acontece que algo mui afrontoso ocorreu no derradeiro mez, vigário. Por este motivo, Reverendíssimo, eu escrevo esta epístola para que de alguma maneira possais interceder por nosso padroeiro, pois, agora quem carece de intercessão é Santo Antônio! No derradeiro dia 13 de junho, após a noite defesta em louvor a Antônio de Pádua e Lisboa, como o costume manda e o catecismo da igreja exige, um corpo sem vida foi encontrado no pátio da capella. O defunto tinha por nome João da Costa, branco, um tanto espigado, com pouco mais de 30 annos de idade e que tinha como ocupação o comércio. Era conhecido de todos deste lugar. Fora encontrado com cinco facadas espalhadas pelo ventre, peito e pernas. A acusação do assassínio recaiu sob um preto de nome Francisco Silva, com quem a vítima mui pouco se dava. Ocorre que Francisco Silva não sendo negro forro, é propriedade de Santo Antônio. Como bem sabeis, quando a piedosa D. Isabel Maria Guedes de Brito morreu, deixou como herdeiro de suas terras, suas casas, suas criações e seus escravos de Queimadas o santo português de quem era mui devota. Todo o espólio da grande devota é propriedade de Antônio de Lisboa, sendo administrado pela parochia de Tocano, isto, o reverendo bem sabe.

Ocorre que Francisco Silva, depois de cruelmente matar o homem, fugiu sem deixar vestígios, reverendo. Não houve canto em que não fosse procurado. Não deixou rastro. E como a lei deste Império manda, não se encontrando o cativo responsável pelo crime, quem responde pelo seu acto é seu dono. Deste modo, recaiu a culpa sob Santo Antônio! Homens da comarca daVilla de São João de Água Fria, no final do mez passado, depois do dia de São Pedro, chegaram neste lugar, investigaram o caso e deram voz de prisão ao santo que estava no altar! Pegaram o Menino Deus do divino colo do padroeiro, arrancaram-lhe os lírios e a cruz da mão, retiraram-lhe o esplendor de prata de sua cabeça e o fizeram descer do seu posto. Foi mui grande a confusão. Fiéis senhoras choraram e uma mesmo chegou a desfalecer. Os devotos do santo tentaram impedir que a prisão ocorresse, mas tudo foi inútil. Eu mesmo tentei em vão atalhar, mas sou homem de pouco cabedal e pouca influência. Nada adiantou. Santo Antônio foi levado para julgamento no tribunal do júri da comarca de Água Fria, tendo sido transportado amarrado a um jumento como se um bandido qualquer fosse! Grande infâmia e heresia. O julgamento fora marcado para o dia 20 do mez de julho e o santo teve que esperar trancado na cela da forca até o dia de se apresentar ao tribunal. O julgamento foi feito em dois dias, sendo o padroeiro de Queimadas posto no banco dos réus, interrogado e acusado duramente sem nada alegar em defesa! Como não havia nada a fazer, senão calar, o santo foi tido como réu confesso! Pena capital fora aplicada. Não houve benefício nenhum dado ao santo, a lei foi posta estrictamente, mesmo o réu sendo celestial. Acredito eu que juiz e promotor sejam dois homens de pouca fé, mas apegados a muito latim e leis.

Pois bem, reverendo, o pior vos conto agora. Santo Antônio foi condenado à forca. Dos 7 jurados, 5condenaram o santo se apegando a questões legalistas para condená-lo, sem sequer levar em conta que o fato criminoso não fora cometido por suas próprias mãos e que mui Santo Antônio já fez pelos seus devotos de Queimadas! Antônio foi condenado e todos os seus bens confiscados e postos em hasta pública. Santo Antônio ficou, como dizem o ditado do povo, sem eira nem beira. Por este motivo, é que invoco Vossa Reverendíssima, já que os bens são administrados pela parochia de Tocano. Para que tome as devidas providências para anular a condenação arbitrária eherética de nosso padroeiro. Peço que envie mensagem para a arquidiocese sobre o acontecido, pois creio que nada saiba o reverendíssimo arcebispo da Bahia, pois nem mesmo Vossa Reverendíssima era conhecedor dos factos.  Tudo se deu mui rapidamente e não pude ser mais pressuroso.

Ainda preciso relatar o mais impressionante. Depois de julgado, Santo Antônio fora reconduzido paraa cela da forca para que ali esperasse o dia da execução que fora marcada para dois dias seguintes. Porém, sucedeu algo divino! Ofacto é que o santo sumiu! Santo Antônio despareceu. O carcereiro não o encontrou quando o fora buscar para a execução em praça pública, quando tudo já se encontrava pronto. Santo Antônio é o primeiro santo foragido de que já ouvi dizer. O milagre se repete, reverendo. A justiça dos homens é falha, mas a de Deus é certa!

Nada mais. Peço vossa bênção. Pode, Vossa Reverendíssima, dispor do criado amigo.

 

Antônio de Cerqueira Filho

Prezidente da Irmandade do Santíssimo Sacramento

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Chegança

05 de abr de 2017 às 11:05 | em: Astério Moreira

“Senhores donos da casa, o cantadô pede licença pra puxar viola rasa aqui na vossa presença, venho das banda do norte com pirmissão da sentença…” (Desafio do Auto da Catingueira – Elomar F. Melo).

 

Manda o bom costume e a educação esmerada de sertanejo ensinado na velha escola que o forasteiro que chega deve, por cordialidade e respeito, pedir licença, apear e entregar as armas aos donos da casa. Uma mistura de reverência, educação, confiança e precaução para com os hospedeiros.  Trato antigo, mas pouco me importa ser tido como antiquado, portanto, é o que faço agora, senhores!

Tenho por nome Astério Moreira, designação herdada de meu avô; não sendo Cristo, sou filho de uma Maria e de um José; sou uma cria de Tucano, sertão da Bahia (uma mãe que teimo em gostar); tenho por ofício a advocacia e por vício a escrita e, talvez, tenha sido por esta mania que tenham me chamado a tomar parte neste (A Voz do) Campo. Não sei bem o que farei aqui, sei que escrevinharei algumas coisas sobre algumas outras coisas. Meu plantio e minha colheita são incertos, mas minha intenção é verdadeira. Deram-me a (doida) liberdade de escrever como e sobre o que quiser e eu, aproveitando desta louca generosidade, tomo posse deste roçado que me foi oferecido. Agradeço o espaço a Felipe Sales e saúdo todos os meus companheiros colunistas, pedindo a devida autorização para adentrar nesta casa. É com muito gosto que chego aqui.

Perto de seu aniversário que se aproxima, quero saudar a cidade de Araci, o Raso, o berço e o ponto de apoio da Voz do Campo, uma das irmãs de minha cidade, uma cria da Imperial Vila de Sant’Anna dos Tocanos assim como eu! Araci, apesar da proximidade e do embrião histórico, é uma cidade estranhamente distante da minha Tucano, não sei bem os motivos, mas assim percebo. Existe uma maior interligação entre os outros municípios vizinhos e um visível distanciamento com o Raso. Espero que esta ponte que ouso fazer sirva de estreitamento de laços a estas duas cidades que historicamente são tão ligadas.

Tive a oportunidade de conhecer e conviver com boas almas aracienses e, por esta razão, simpatizo muito com esta cidade. Aproveito a oportunidade para reverenciar o município me utilizando da figura de uma das pessoas que, para mim, simbolizam a Vila do Raso: Dona Gasparina Santos de Santana, uma tucano-araciense, avó de uma grande amiga, uma senhora de calmaria alegre, mulher de uma expressão singela e de uma força enorme – quem teve/tem o privilégio de conhecê-la bem sabe do que falo. Melhor representação deste lugar, eu não posso achar (afinal, singeleza forte é um atributo dos mais admiráveis em qualquer cidade interiorana). Na pessoa dela, peço a licença para chegar aqui e a bênção para poder escrevinhar alguns dizeres.

Sendo assim, tendo me apresentado aos senhores, apeio e entrego minhas armas. Licença, meus bons cavalheiros e minhas nobres damas! Licença porque acabo de chegar!

 

Astério Moreira

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