Jovem de 19 anos fica em estado vegetativo após parto no Hospital de Araci

14 de mar de 2019 às 17:36 | em: Araci

Foto: A Voz do Campo

Mirene Santos da Silva e Gean Guimarães da Silva esperaram por seu filho com muita expectativa. Ambos sempre residiram na comunidade Pau de Abelha, região da Lagoa do Boi, zona rural de Araci. Na madrugada de 20 de julho de 2018, a jovem, que tinha 19 anos, deu entrada no Hospital Municipal Nossa Senhora da Conceição, em Araci, para o parto da criança. Nas mãos, eles levavam todo o histórico do pré-natal, realizado em clínicas particulares do município. Segundo a família, toda a documentação apontava para uma gravidez normal. Na manhã, o pai e a avó, Maria Luiza Jesus dos Santos, começaram a se preocupar. Uma funcionária teria pedido que a família pagasse por uma ultrassom particular para a jovem. Na sequência, eles perceberam correria na unidade hospitalar. Após horas, foram comunicados que a jovem seria transferida para Feira de Santana.

Foto: Arquivo Familiar

Segundo a mãe de Mirene, nos fundos do hospital, em uma ambulância e perdendo muito sangue, ela ouviu de sua filha: “mãe, fica comigo e me ajuda, me judiaram muito“, disse a jovem. Já no Hospital Estadual da Criança, em Feira de Santana, a jovem teve uma parada respiratória de 10 minutos. Ela ficou 15 dias entubada, teve convulsão e findou em estado vegetativo, como mostram os relatórios médicos do hospital estadual consultados pelo site A Voz do Campo. “Minha esposa ficou 6 meses e 1 dia no Hospital. Nós sofremos muito e estamos sofrendo”, afirmou o marido, emocionado. Ao site A Voz do Campo, ele contou que descobriu que Mirene teve o útero extraído desnecessariamente no parto normal em Araci.

Foto: A Voz do Campo

Ela tinha útero invertido. Disseram que algumas mulheres tem isso e é normal. Mas insistiram no parto normal dela em Araci. O útero ficou retorcido e foi arrancado. Foi o que nos disseram em Feira. Ela perdeu muito sangue (…)“, disse Gean. A criança sobreviveu ao parto, não apresentou sequelas e hoje vive com o pai e a vó (mãe da jovem Mirene).

Apoio público e situação atual da família

A família retornou para Araci há 02 meses. A jovem permanece em estado vegetativo e precisa de remédios, apoio para alimentação e respiração. Segundo eles, após algumas semanas, a Prefeitura Municipal do município cedeu uma residência. “Nós lutamos muito por esse apoio porque temos que ficar em Araci para tratar de Mirene“, disseram. No entanto, eles afirmam que a residência não tem o suporte necessário para um paciente em estado vegetativo. “Ela precisa de ar-condicionado. No calor, tem convulsões. Mas a secretária de saúde se negou a fornecer. Tivemos que apelar para amigos“, afirmou.

Foto: Arquivo Familiar

A família ainda afirmou que não recebe 100% dos remédios que a jovem necessita no dia-a-dia. “A gente ainda tem remédios porque os médicos de Feira ajudaram. Ninguém aqui pode trabalhar. Minha sogra fica com o bebê e eu com minha esposa. Só vivemos do bolsa família. A gente vive de ajuda dos vizinhos e dos amigos. Precisamos de mais apoio da Prefeitura“, disse Gean. A mãe da jovem Maria Luiza, também destacou que sua filha precisa de apoio integral de um profissional de saúde e isso não foi fornecido pelo município.

Apoio jurídico à família

A família já estabeleceu um advogado para o caso, que confirmou todas as informações ao site A Voz do Campo e apresentou documentos. Segundo o advogado, em sua visão, quando ela apresentou complicações no início do parto, o Hospital precisava ter transferido ou feito o parto cesáreo. “Houve insistência no parto normal. Já requeremos os relatórios médicos porque a família solicitou no Hospital de Araci e não teve êxito. Mas faremos de tudo por essa família. A médica em Feira de Santana solicitou home-care (atendimento domiciliar 24 horas), mas o município não está cumprindo“, afirmou. Ainda segundo o advogado, a família de Mirene só busca a verdade, por isso, a necessidade de o Hospital Municipal de Araci repassar os relatórios médicos. “É direito garantido para todo cidadão, conforme o artigo 5° da Constituição Federal. Ademais, esse direito é garantido, também, no artigo 88 do código de ética do médica“, finalizou.

Nota da Prefeitura Municipal de Araci

Segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Araci, todo o suporte necessário para a família está sendo dado. “Eles estão sendo assistidos por um home-care (Anjos do Lar – fisioterapia, enfermagem, clínico geral, fonoaudiologia e nutrição), assim como a Assistência Social também está dando todo o suporte.  Avaliaremos quais as demandas que eles ainda têm e faremos o possível, no que nos couber ou for possível, para atendê-las”, disseram. Sobre a situação clínica da paciente, eles afirmaram que não houve negligência ou morosidade na transferência. “Ela foi assistida por profissionais a todo momento. O Hospital e seus profissionais lamentam o atual quadro clínico da jovem. Foi lançado mão de todas técnicas possíveis para minimizar as consequências do parto”, finalizaram.

Apoio de amigos e vizinhos

A família de Mirene não tem acesso a aposentadoria e dedica tempo integral para ela e o bebê. Não há aposentadoria de nenhum dos familiares. Eles recebem, constantemente, ajuda da população, liderança, políticos e de comunidades religiosas.

Você pode ajudar?

Entre em contato com a família (75 9 92406217 – Maria Luiza). Conta na Caixa Econômica Federal: Agência 4765 | Conta Poupança 18459-7 | Variação 013 | Marcos Santos da Silva.

Como você se sentiu com este conteúdo?
Curti
Curti Amei Feliz Surpreso Triste Raiva
91

Clique aqui para seguir nossa página no Facebook.